Relatos Extemporâneos: Adiantados e Atrasados



Quarta-feira, Novembro 04, 2009

EM MAIS DE 140 CARACTERES

A parada é assim negada. Se você tá aqui, é porque sabe que escrevo na Void, e por um afeto e(ou) consideração comigo, deve saber os links para ela. Ainda assim, como faço questão de ser um pai pra vocês, aqui está o link da Void #52, onde fiz uma entrevista com Wado. Você também pode baixar em PDF para ter uma ilustra mais bonitinha. Já na Void #53, escrevi sobre nova cena shoegazer de New York, grunge e Kenny G. Aqui em PDF.


Tenho usado um tanto o twitter porque é uma boa maneira diária de aprimorar a edição. Continuo achando que não faz o menor sentido limitar o conteúdo na web 2.0, que nasceu para ser ilimitado. Mas, ali estando, tem coisas que simplesmente não dá pra aturar:
- Nego que usa 4 ou 5 tweets seguidos pra falar de um assunto. Faz um blog, pô.
- Nego que usa o lance como um chat. Com pessoas que já possuem o MSN da outra.
- Nego que só manda links. Não tenho tempo ou paciência pra acessar, loho, cago.
Esse último caso, inclusive, está impregnado de como o jornalismo no Brasil não entendeu o twitter. A única coisa que fazem é mandar links. Ora, pensem comigo, se eu quiser acessar a porra do site deles, eu acesso. Não preciso do twitter. E mesmo que eu queira ser informado de maneira mais instantânea sobre os updates, tem o RSS. Até onde pude compreender, a ferramenta deve pelo menos tentar ter algum fator de ineditismo, seja a Demi Moore furando os paparazzi, seja o presidente do Palmeiras deixando puto os reclamões do jornalismo esportivo (agora eles se deram conta que tem que trabalhar um pouco, em vez de só reproduzir a mesma naba day-by-day).

Baixei e assisti 500 Days of Summer. Baita filme, um roteiro simples, mas eficazmente bem realizado (meio que dá pena do moleque por ser tão bobão). Só acho que o diretor se passa um pouco em usar muitas estéticas diferentes (ex: a cena onde o menino fica cantando no meio da rua, coreografada com vários transeuntes, é over). No entanto a cena do expectations VS reality é simplesmente GENIAL. Recomendo.

Comecei e já terminei outra série, Breaking Bad. Muito foda. Recomendo também.

O Wordpress é muito melhor que isso aqui. Em breve mudarei.

Encontrei a pessoa certa, acho.

malaho.

postado por: mim 12:27 PM



Quarta-feira, Setembro 09, 2009

VIVO

Aos mais preguiçosos, Void #50, Void #51. Agora tem também em PDF para download.

No MyCool vocês tão ligados, né? Leiam, lá. Até curti esse meu texto sobre o Muse.

No mais era isso. Difícil ser radialista, resenhista, ator, tradutor e estudande de disciplinas de comunicação social, ao mesmo tempo.

Acho que vi Inglourious Basterds antes de todos meus amigos. Soa estranho, dado a atuação HARDCORE-NERD deles como projeto de vida (RÁ!). Tanto soa estranho que passei a ver mais dois seriados: Chuck e The Mad Men.

Quase acabando a auto-biografia do Hunter Thompson. Vários ensinamentos de vida, no doubt.

Agora sim, era isso.

Mahalo!

postado por: mim 10:15 AM



Quarta-feira, Julho 08, 2009

VERBORRAGIAS N° 78

Tô de férias, tá ligado? E aqui em Aruba tem bastante tempo pra escrever.

VICE
Uma mentira que virou verdade no futebol e me irrita muito. Sem qualquer tipo de corneta, o futebol virou uma ode ao “levar a algum lugar”, a chamada VAGA. Não fico puto de perder a Copa do Brasil por não ir à Libertadores. O grande lance da putice é não ser o CAMPEÃO. As pessoas meio que perderam o prazer de ser o CAMPEÃO. Aí tu ouve besteiras que ser, digamos, vice do campeonato brasileiro é melhor que ser CAMPEÃO da Sul-Americana, já que ela “não leva a lugar algum”. MAS E DAÍ? É um título, caneco, tacinha. (Que aliás, pra ficar nesse exemplo, é “menor” que a Libertadores por mera questão de semestre da disputa, pois são praticamente os mesmo clubes que a jogam. Vejam vocês que o VICE do ano passado desse torneio de “segunda divisão” poder ser o próximo CAMPEÃO do torneio de “primeira divisão). Voltando. No Brasileirão tu não vê os dirigentes e técnicos falando do TÍTULO, apenas do tal de G4. Obviamente conquistar vagas também é importante. Mas, a meu ver (e na do mundo inteiro até tempo atrás) isso deveria ser segundo plano. De qualquer modo, a discussão título X vaga jamais vai superar aquela mais idiota da história do futebol sobre o que seria melhor: campeão da SEGUNDONA ou vice da primeira divisão. Até o DÉCIMO lugar seria melhor na primeira.

...APESAR DA CARA DE BUNDA
...o Federer se tornou o maior de todos os tempos no tênis. E nem é só a questão de ter ganhado mais Grand Slam que todos. É que ele joga MUITO mesmo, em todos os tipos de quadra. E vocês já pararam pra pensar que – com exceção do futebol – na nossa geração estão todos os gênios do esporte? O Schumacher, o Michael Jordan, o Michael Phelps, o Tyson, quem sabe? Em algum ponto acho massa quando tornar-me um ANCIÃO dar o testemunho de que vi esses caras todos in loco, ao contrário dum Pelé, só pelos vídeos.

OFF THE WALL
Isso me leva ao Jacko. Da mesma forma a gente está presenciando um dos últimos revolucionários da música pop indo pra banha, também in loco. Diferente do Elvis, Lennon, Bob Marley, Hendrix. TALVEZ tamanho ALARIDO volte a acontecer só com o Paul McCartney. Bem menos fichas pra Madonna.

SIGAM-ME OS BONS
Orkut, Facebook, Myspace, LastFM, Couchsurfing, Youtube, Fotolog, Flickr, Blog, eu tenho perfil em toda essa joça. E pra completar dez, criei um Twitter. Sinceramente, acho a ferramenta estúpida. Entendo, de certa maneira, porque ela se propagou e por que virou um vício mundial. Entendo, até, que em determinado senso, seja realmente útil para alguns. Ainda assim, não consigo deixar de achar estúpido um troço que limita algo a 140 caracteres logo no espaço ILIMITAVELMENTE ILIMITADO que é a internet. È QUASE como se, do nada, as pessoas achassem que o e-mail é ruim e voltassem ao telegrama. Whatever. Meu primeiro "tweet" (como raios fala?) é duma frase que se não coubesse em 140 toques sinceramente teria desistido da ferramenta. Enjoy.

ESCREVINHANDO
- Aproveitem a Void #48 e Void #49. Escrevi algumas coisas nelas.
- Estou sempre pitaqueando no MyCool. Dêem um page-view, por favor.
- Postei três textos da aula de Redação II no blog criado para os textos do Jornalismo Online. Textos fronhas que me valeram um DEZ na cadeira. Nerdzz.

postado por: mim 1:00 AM



Sábado, Junho 27, 2009

SE SUBMETENDO

Trabalho de grau na discplina de Telejornalismo II.
O único recurso de audiovisual é uma câmera.
Escrevi, "dirigi", co-editei, e atuei. Vejam aí, nêgos.

postado por: mim 8:52 PM



Quarta-feira, Junho 10, 2009

GREAT DJ

O melhor bloquinho de abertura que já fiz em todos os tempos:

Jimi Hendrix - Castle Made of Sand
Curtis Mayfield - Get Down
Beyond the Wizard's Sleeve - Bubble Burst
RJD2 - 1974
Beastie Boys - Electrical Storm
Jupiter Maça - Base Primitiva Revisitada
Tonho Croco - Teto Solar

Rá, foda mesmo.

....

postado por: mim 9:33 AM



Domingo, Junho 07, 2009

SPORTS ILUSTRATE [Update necessária]

Hóquei no Gelo
O meu Detroit Red Wings repete a final do ano passado contrao Pittsburgh Penguins. Vence a série melhor de 7 por 3 a 2. Será bicampeão na próxima terça.
AGORA O UPDATE: Incrivelmente o Red Wings tomou uma virada histórica e o Pittsburgh papou a Stanley Cup. Há 30 anos uma equipe de qualquer um dos esportes profissionais dos EUA não vencia o sétimo jogo de uma final fora de casa. E mais. Marian Hossa, o principal jogador dos Penguins no vice do ano passado, vazou justamente pros Red Wings, por "ter maiores chances de conquistar o título em Detroit”. Tomou no brioco bem tomadinho.

Futebol
Não sei exatamente o que se cobra do Dunga. Ele GANHA, ora bolas. Ok, talvez jogue só contra os meia-boca e o futebol jogado é bem meia-boca também, MAS, vamos aos jogadores. Dos que ele convoca, goleiro, zagueiros e atacantes são o que todos convocariam. Mais o Kaká, indiscutível. Então sobram para se discutir os laterais-direito (me cite UM melhor que os mais-ou-menos Daniel Alves e Maicon), os laterais-esquerdo (IDEM), e o meio-campo. Tudo bem que Gilberto Silva, Felipe Melo e Elano de titular, mais o Josué e Julio Batista pra reserva seja um grande meia-boquismo. Mas o Anderson, ex-Grêmio, joga tudo isso de volante? O Lucas, ex-Grêmio, é titular no clube dele? O Diego aquele baixinho, não é amarelão? O Hernanes, não apenas fez uma Olimpíadas medíocre como não virou reserva do Muriçoca? Ronaldinho Gaúcho, que não consegue acertar um passe pro gol há dois anos? No final das contas, ousaria dizer que o Dunga na real faz MILAGRE com uma geração tão falhada.

Basquete
O Kobe Bryant é uma LENDA viva, putamerda. Meu Lakers facinho de novo, esse ano.

Tênis
Outro FENÔMENO é o Federer. Joga MUITO mais que o Nadal, e pro bem do tênis ele finalmente ganhou Roland Garros pra provar isso. Vai meter Winbledom no meio do ano e virar o maior vencedor de Grand Slam da história (o que já é, empatado com o Sampras).

Fórmula 1
Sério mesmo que eu achava o Barrichello um grande piloto soterrado pelas vissicitudes que é essa vida. Mas contra fatos não há exatamente argumentos. Ele é um bosta. Depois da corrida de hoje ele sublinhou toda a mediocridade na carreira. Não tinha me dado conta que ele é o recordistas de participação em corridas e isso é algo MUITO loser. Tanto que antes dele o recordista era o RICARDO PATRESE, que óbvio, também NUNCA ganhou nada.

Badminton
Rá, pegadinha do malandro...

postado por: mim 10:39 PM



Sábado, Maio 09, 2009

ASPAS SOBRE MIM MESMO

Escrevi sobre o No Age na minha lista de melhores discos de 2008. "Top 3 duma imaginária lista Nesse Show Eu Me Divertiria Afú".

Como uma espécie de PARANORMAL que sou, eles vem mesmo, e estou muito PILHADO em ver os filhotes a apenas 30 km da minha casa. Também havia escrito sobre eles pra Void. E, agora, para o INFORMATIVO dos adolescentes que irão nesse festival: Eles são dois caras, e usam apenas guitarra e bateria. Ainda que seja um rock agressivo e barulhento, é também ótimo pra dançar. Com músicas baseadas em riffs curtos no estilo garage-punk, a curiosidade é o vocal feito pelo baterista. Assista ao videoclipe de “Eraser”, um dos mais legais do último ano.

Em menos de ano, escrevi três "variações obre o mesmo tema"(©Gessinger).

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Escrevi sobre o The View acerca do show que vi em Barcelona: Colocaram a banda na menor tenda do festival sem imaginar que naquela semana a NME deu a capa “New Kings of Scotland” a eles, referência ao show do T in the Park [que não vi]. Conseqüência que lotou o lugar, mesmo, com gritos de ‘the view, the view on fire’ já antes da apresentação. Um escocês com a camisa do Dundee parou ao meu lado [DUNDEE, vocês tem noção?], e o pior de tudo, todo mundo cantava todas as músicas e fazia pogo o tempo todo. Pior, porque o The View não passa duma banda de piás [no sentido da música feita e na aparência de 16 anos dos moleques]. Quando tocaram “Same Jeans” aquilo realmente teve ares de clássico que vai perdurar para sempre. Tomara que, pelo menos, da forma certa. A de one hit wonder.

A real é que nesses quase dois anos os filhos sumiram, ou eu que perdi algo? A propósito, tenho até hoje a tal NME com eles na capa. E descobri porque daquele escocês com camisa do Dundee [algo como AIMORÉ deles]. A banda é dessa cidade.


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As duas bandas, mais a The Teenagers e Matt & Kim toca em POA dia 05 DE JUNHO, entre outras inúmeras bandas daqui, como FRESNO. É um projeto pro público teen, não à toa, ninguém dessas bandas gringas deve ter mais que 21, ou muito perto disso.
E se alguém estiver lendo isso, não foi aqui que vocês leram, ok? Obrigado.

postado por: mim 4:01 PM



Sexta-feira, Maio 01, 2009

DESTRUINDO MITOS - PARTE I

O brasileiro é desmemoriado nato. No futebol, a memória é ainda mais difusa pela questão amor e ódio. Logo, dono de ótima memória, derrubo alguns MITOZINHOS que se criaram com jogadores do glorioso campeão de tudo.

ELDER GRANJA
O cara se lesionou em 2006, perdeu a vaga no time da Libertadores, 2007 era uma mãe e daí ganhou a pecha de BARRÃO. Que até era mesmo, PORÉM, nem sempre foi assim. Aos esquecidinhos, os fatos INCOTESTES. Antes de ser lateral, Granja era MEIO-CAMPISTA e referência técnica naquele time meia-boca do Lori, que ganhou o Gauchón 2004. Virou quase um HOMEM GRE-NAL, ao marcar em dois seguidos. O de número 357, e no seguinte, no qual "Chiquinho recebeu belo passe de Xavier, cruzou com perfeição para Élder Granja cabecear. Granja, o CARRASCO TRICOLOR fez o gol cheio de estilo." No Gre-Nal 360, no brasileirão de Joel Santana, reparem: "Aos 33 minutos, o gol histórico. Élder Granja ergueu a bola para a área e Fernandão saltou para cabecear com precisão: 2 a 0." Apenas em 2005, com a chegada do MURIÇOCA, Granja foi deslocado à ala, naquela campanha do título que nos roubaram. Aliás, o filhote era um dos melhores do time, cotado a SELEÇÃO. Claro que depois, como escrevi no início, ele DEFECOU PERNA ABAIXO, e a última impressão, ficou.

EDINHO
Edinho virou uma espécie de polêmica-mór, entre detratores e defensores (lembros das discussões MASTODÔNTICAS entre o Ferdinand e o Vicente sobre ele). A primeira lenda é que Edinho era titular inconteste, independente do técnico. Não, quando chegou, durante toda campanha do brasileirão 2003 ( MURIVICE, São Caetano 5x0, etc), ele era volante RESERVA. Firmou-se de titular em 2004, de ZAGUEIRO num 3-5-2. Aliás, "o zagueiro Edinho foi o campeão de atuações na temporada 2004. Dono de um preparo físico invejável, Edinho participou de 68 dos 90 jogos na temporada." Em 2005, no vice do brasileirão, ainda zagueiro formava com Wilson e Índio, o miolo do meio com Gavillán, Tinga e Perdiga, com Granja e Jorge Wagner nas alas. Apenas em 2006, com Abel, voltou a VOLÂNCIA. E não havia polêmica. TODO MUNDO VAIAVA Edinho (inclusos aí Vicente Renner, Becker, e WIANEY CARLET, alguns dos mais ferrenhos ADMIRADORES). "Um episódio no início do Gauchão de 2006 marcou Edinho. 'Eu saía do banco para aquecer e a torcida me vaiava' – lembra." Só quando PERDIGORDO lesionou-se Edinho virou titular, e diga-se, MUITO BEM, na campanha da Copa e Mundial. Passou 2007 e 2008 inteiro um titular mais que absoluto. OU SEJA, por mais MITOLÓGICA que tenha sido a presença do HERÓI MALTRADO, em 6 anos de Inter, ele a rigor foi titular durantes apenas DOIS e meio de volante (teve os dois de zagueiro, como mencionei).

SORONDO
Já enchi o saco de neguinho dizendo que o cara jogou 3 jogos. Não, na verdade foram 16 (ok, admito que é igualmente RIDÍCULO esse número em um ano e meio de clube). É que a rigor o filho teve QUATRO lesões. Chegou em setembro de 2007, fez uns dez jogos no brasileiro (um gol contra o São Paulo, inclusive) e rompeu o ligamento. Voltou seis meses depois, na estreia do Brasileiro 2008, e na SEGUNDA partida, lesão (um mês fora). Voltou num gre-nal, e na SEGUNDA partida, lesão (ficou um mês fora). Voltou contra o Cruzeiro -- fez até gol contra -- e na SEGUNDA partida -- um gre-nal de novo --, lesão (OITO MESES fora). Então, meus caros, a parada é a seguinte: NÃO ESCALEM ELE NA SEGUNDA PARTIDA APÓS A VOLTA! E pra fechar, RESSALTO que ALEX ( o nome do Inter ano passado), no mesmo período de um ano e meio de clube fez mesnos que essas dezesseis partidas. Vâmo que vâmo.

Quando eu tiver sem ter o que fazer de novo, destruo outros mitos. absssssss,

postado por: mim 8:55 PM



Domingo, Abril 26, 2009

VOID #47

Peço para que vocês visitem os respectivos links. Não tenho filhos desse tamanho.

- As notas a sessão se chama NA CAIXA.
- A sessão mensal 1001 DISCO PARA OUVIR DEPOIS DE MORRER.
- E nessa edição, matéria especial sobre musiquen. BEING THOM YORKE.

abssss,

postado por: mim 6:49 PM



Sábado, Abril 11, 2009

CEM ANOS É UM TEMPO SUFICIENTE PARA SABER DE QUE ISSO NÃO É ALGO COMUM. NÃO É HOMEM CORRENDO ATRÁS DE BOLA. NÃO É BOBAGEM. ÀS VEZES, NEM PASSATEMPO. CEM ANOS NÃO É COISA DE PASSATEMPOS. SÃO CEM ANOS E UMA CENTENA DE HISTÓRIAS QUE PODERIA CONTAR AQUI. GLÓRIAS, VEXAMES E CHOROS. ACHO QUE PODERIA RELACIONAR QUALQUER COISA E QUALQUER PONTO DA VIDA COM ALGO ACONTECIDO NESSES CEM ANOS. OU CLARO, VINTE E TANTOS. OBRIGADO, INTER. POR EXISTIR, SOBREVIVER, VIRAR O MAIOR E BATER NELAS SEMPRE QUE O NECESSÁRIO, COMO UM BOM PAI. OBRIGADO COLORADO, POR SER O MAIS BONITO. 1909-2009, e segue.

ENTÃO -- já diria eu, se fosse paulista. Algumas MIRÍADES do que ando fazendo.

NO SURPRISES and NO IMAX
O show do Radiohead foi o grande show que vi na vida, numa somatória que envolve o quanto curto a banda, talento dos caras e apetrechos de balaca em imagem e luz. Vocês às vezes também pensam em alguém específico que deveria estar vendo aquilo de qualquer jeito e não está? Camarada Arlen é o meu escolhido, pelo tanto que sei que ele curte a banda e pelo fato de tocar guitarra também. Jonny Greenwood é um semideus. Tentei escrever coisas mais específicas, mas ando sem tempo. ENTÃO, linko AQUI Ó o que escrevi em drops para o BLOG Mycool, que ando colaborando sazonalmente. [Lá embaixo aqui nesse mesmo post tem um texto maior sobre o RADIOHEAD, pra Void]. Aliás, agradecimento especial a Allgayer e a velha hospitalidade.

TM & R
Nunca tinha me dado conta do vínculo com a PUBLICIDADE que poderia ter dado e direcionado a meu trampo. Nos últimos tempos, fiz (ou deixei ) coisas relacionadas a agências.
Primeiro, a cobertura do CARNAVAL de POA para agência com a conta duma ESTATAL, por indicação de amigo. O primeiro dia de transmissão foi uma draga, por culpa da produtora de vídeo (o que menos essas pessoas que trabalham com vídeo sabem é mexer com ÁUDIO). Depois fluiu delícia. Três dias de trabalho árduo.
Segundo, fiz um teste pra outra agência prum COMERCIAL de uma vindoura empresa de VASTO sucesso nacional chegando ao ESTADO. Recebi para isso, mas não foi aproveitado o meu áudio. É meio foda além de falar ser um semi-ATORZINHO.
Terceiro, fui convidado por outra agência a fazer um trampo ESCRITO, até onde entendi, um jornal exclusivo vinculado a campanha de uma marca GRANDONA. Não peguei esse (ou não me pegaram, no caso) porque não tenho a DRT. Em suma, o jornalismo me fudendo antes mesmo deu virar um jornalista.

COMO FAZER UM BLOG
A volta triunfal de APENASJAMES, agora em formato blog. Na real estou cursando a disciplina de Jornalismo Online, onde aprende-se como fazer um blog...tá, aprende-se sobre a história do jornalismo online. ENTÃO criei o apenasjames.wordpress.org, onde você pode acompanhar meus brilhantes trabalhos de aula e ideias à toa.

TEXTING
A VOID voltou esse ano e estou lá, opinando e etc. As reviews de Cd’s caíram e se transformaram em drops de músicas. Minha COLUNA caiu e se transformou em um texto de igual tamanho sobre música ( na real, aquela COLUNA estava bem desfocada). Agora também assino a seção 1001 Discos Para se Ouvir Depois de Morrer. Além, a cada três ou quatro meses, serei o responsável pela matéria principal da revista, de música, maior e mais elaborada (como eram as mensais). Aqui está o link da EDIÇÃO #46, sem as fotinhas.

TRUE ROMANCE É COISA DE LEITOR DE HORÓSCOPO
Poderia dizer que estou me dando mal. Mas estou me dando bem.

...PELO RASTRO DA MORTE
Achei bem válido esse novo do Trail of Dead. No mínimo, melhor que os últimos dois. Ainda um tanto de pretensão PROGUÍSTICA, um tanto de CORDAS, mas muito mais peso e gritêro. Minha preferida deles da década está ali, Fields of Coal. Biqueie.

postado por: mim 2:13 PM



Quarta-feira, Março 18, 2009



"espero que quando o mundo for acabar eu tenha pelo menos um cabrita por perto."

postado por: mim 1:08 AM



Sábado, Março 07, 2009

COMO TORNAR-SE UM SUBPRODUTO DE SI MESMO (SHORT VERSION)

Existe por aí uma menina apaixonada por mim. E pra ser bem sincero, gosto bastante dela. Existe ali no meio uma série de circunstâncias, e a principal é que a gente não fica junto. Pelo menos não no sentido relacionamento da coisa. A gente faz todo o resto. Ou fazia, melhor posto. Entre algumas das predileções dela é "VOCÊ TEM CARA DE", e honestamente falando, toda vez que ela diz isso demonstra me conhecer bem pouco. Mas é algo que não a culpo, porque em algum ponto me tornei aquele tipo de cara que as pessoas de fato esperam que sinta, pense ou mesmo faça determinadas coisas que não condizem ao que sinto, penso ou faço. End 1.



Semana fui a uma festa por conta duma menina que fiquei na festa anterior. Nessa festa encontrei QUATRO meninas que tive relações íntimas (e bem, acho que vocês esperariam que eu usasse um termo mais vulgar, ahn?) nos últimos dois anos e pouco. Acabei ficando nessa festa com uma outra menina além dessas, e que nem era aquela pela qual fui na tal festa. End 2.



Caso não tivesse indo pra London, talvez rolasse, mas não tinha como dar certo.

- Por que você vai levar isso? [apontando pruma BOTA DE BORRACHA AMARELA].
- Isso o que?
- Isso!
- Ah, porque sim. [possivelmente não sacando a bestialidade da pergunta]
- Podia deixar pra comprar lá. [realmente ingênuo e não sarcástico]
- CAPAAAAZ. É uma Marcus "Alguma Coisa".
- Ah.

E é sério que ainda acho que indo ali no interior acha uma igual por 15 reais. End 3.

postado por: mim 11:57 PM



Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009

THE READER

Estilo TITANICESCO de roteiro, aquele lance de estar no presente, retroceder ao passado para contar a história, e voltar ao presente, com a junção das duas coisas. Sacou? Tudo bem, é uma trama que resvala no JUDAÍSMO novamente, mas ela é bonita e LÚDICA. E eu gosto dessas coisas assim, bonitas e LÚDICAS, embora esse meu jeito que vocês sabem qualé. E a Kate Winslet tá mais que na hora de ganhar o esquemão ali, é uma atriz bem versátil e CLEAN.

E tipo, so weird de como ela é tão linda de rosto e meio que AQUILO peladinha. Whatever.

postado por: mim 11:31 PM



FROZEN RIVER

90 minutos dum dramalhão estéticamente parecido com Monster. Baita atuação da Melissa Leo, mas pro seu azar, ela não é uma gostosa que precisou se transfigurar através de maquiagem.

postado por: mim 12:26 PM



Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

FROST/NIXON

Interpretação fodona do Frank Langella (pra mim, o eterno Esqueleto, no He-Man).

Já a história, em si, é meio boring, politicismo-americano-prolixo, que já fez FALHAR outros filmes igualmente quase interessantes como Boa Noite Boa Sorte, Bobby, e claro, JFK. Tentado dar a ideia de documentário com depoimentos dos atores (os atores na pele dos personagens) em meio as cenas, sendo que a história é verídica, também falhou. Pareceu coisa de aluno de CRAV.

postado por: mim 9:30 AM



Terça-feira, Fevereiro 10, 2009

MILK

O Gus Van Sant dirige uma série de PANTOMÍNIAS pretensamente CULT'S. Não sei exatamente quem ele consegue enganar com isso. Não é a mim.

Em tempo, o Emile Hirsch (ou algo) está IRRECONHECÍVEL de bichinha.

postado por: mim 12:23 AM



Domingo, Fevereiro 08, 2009

THE WRESTLER

Soa quase como um mockumentary, sem de fato o ser. Primeiro, porque claro, o lutador não existe, mas o clima documental, com câmara de mão em vários planos sequência, e os inúmeros lutadores profissionais envolvidos, dão um certo clima verídico a coisa. Segundo, porque obviamente lembra de certa maneira a trajetória do Mickey Rourke no cinema. Esse clima de "documentário falso" dá verniz original necessário a um roteiro sobremaneira clichê.

E Rourke está fantástico. Seja como The Ram, seja como ele mesmo. Tu escolhe.

postado por: mim 2:30 PM



Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009

SLUMDOG MILLIONAIRE

Drama, mas leve. Cômico, sem piadas. Clichê, porém, singelo.

Ducaralho mais uma vez, seu Danny Boyle. Se preferir, EDIFICANTE.

It's our destiny.

It is written.

postado por: mim 12:32 AM



O HOMEM REVOLTADO

"A maior parte daquilo que sei da vida aprendi jogando futebol." [Albert Camus]

Quem diria.

postado por: mim 12:15 AM



Sábado, Janeiro 31, 2009

THE ART OF USE SOMEBODY

"The demand to be loved is the greatest of all arrogant presumptions." [Nietzchinho]

postado por: mim 5:35 PM



Terça-feira, Janeiro 27, 2009

PONTO ETERNAMENTE EVASIVO

A nossa era é, cada vez mais, a era do pseudoconhecimento, o modo pelo qual tentamos tolamente nos diferenciar da maioria medíocre. [Nick Tosches]

Tóin-nhó-nhó-nhóóóimm.

postado por: mim 12:06 AM



Segunda-feira, Janeiro 26, 2009

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON

Sen-sa-cio-nal.

postado por: mim 10:21 AM



Quinta-feira, Janeiro 01, 2009

MELHORES DISCOS DO ANO - '08 Edition

Esses são os que passaram no meu radar. Grande parte resenhei pra revista aquela, então, vocês mais ou menos já devem estar por dentro. Não está em ordem de preferência.

TOP TEN

Jamie Lidell – Jim: pouquíssimo comentado, é uma obra pra quem conhece e gosta de soul. Não apenas um pastiche dum gênero que subexiste há mais de trinta anos, mas efetivamente um revigoramento da coisa (muito melhor do que a Amy, que tem voz foda, mas arranjos pasteurizados pro meu gosto, típicos do Mark Ronson). Aqui, a produção é minimal, uma execução perfeita, a voz do branquelo invejável. Entre vários bate-coxa, destacaria a balada “All I Wanna Do”, pela singeleza da letra e a positividade do som. É balada sixtie (ou fiftie se tu se remeter a “My Girl”) dessas que não se fazem mais.

Elbow – Seldom Seen Kid: primeiro que a voz do gordo acho sensacional. E segundo que finalmente a banda conseguiu empilhar no mesmo disco só músicas boas (diferente de qualquer outro deles, sempre com boa dose de vergonha alheia embutida). Eles flertam com tudo que tu possa sentir ao ouvir uma música, e ouvir na sequência “Grounds for Divorce”, “The Loneliness of a Tower...” e “The Fix” nem parece o mesmo álbum ou época. Brilhantismo atemporal e contemporâneo, ao mesmo tempo.

Death Cab For Cutie – Narrow Stairs: na mesma mão, acho que é onde a banda efetivamente mostrou culhão “indie” dentro duma gravadora – e não banda “indie” abrindo as pernas para uma. Ou abrir um disco com “Bixby Canyon Bridge” (sem refrão, barulhos sonicyouthianos, a capela’s, ) e “I Will Possess Your Heart” é coisa comum em majors? Muito mais coeso que Plans (que tinha singles altos mequetrefes), aqui vemos uma guitar-band de verdade, sujando de sangue as cordas, e nem por isso descartando pianolas na hora certa (“Grapevine Fires”). Aliás, hora certa, lugar certo, coisa certa, pessoa certa são coisas muito intrínsecas ao se ouvir DCFC.

Sigur Rós - Með uð í eyrum við spilum endalaust: após ouvir muitas outras vezes , achei a posição da pitchforkmedia.com a mais acertada. A banda “abriu fronteiras” sem autoviolentar sua estética. “Gobbledigook” é um single sobremaneira diferente, calcado em violões, percussão e refrão, mas não menos marcial que qualquer som deles. “Inní mér syngur vitleysingur” é um single orquestral e de arranjos sofisticados como sempre, MAS, alegre (fudidamente alegre). “Við spilum endalaust” e seu baixão marcado incrementa um novo significado ao pós-punk (seria um pós-rock punk?). De resto, meu bom, é o mesmo Sigur de sempre, melhorando de vez em vez aquela sua depressão. Alteração de sentidos: ‘hoje vou ouvir um disco do sigur rós e me deprimir, que maravilha!’. E não é mesmo?

Glasvegas – Glasvegas: distorções inaudíveis envolta de melodramas, pra mim tá ótimo. Como nota, é incrível a diferença da versão demo com as músicas que caíram no disco, e se puder baixar as Hometapes + More, aconselho. A bateria, que era um caco minimalista ouvida lá no fundinho, virou um colosso no álbum. E a “limpeza” nas guitarras dá a impressão de que o lance ficou ainda mais barulhento, e não por menos: os acordes são perfeitamente audíveis e o vocal acentua o shite accent. Minha previsibilidade impediria deu falar mal do álbum, de qualquer modo. Ele é minha fuça.

No Age – Nouns: não exatamente o mesmo tipo de som dos acima, mas o mesmo apelo que ganha pontos certeiros comigo. Fazer dum lance outsider-não-ouvível algo que você pode até mesmo...dançar, e dar a ideia de que QUALQUER coisa possa soar... pop. É mais ou menos como vejo o No Age, o contexto onde eles estão e o álbum específico. Top 3 duma imaginária lista “Nesse Show Eu Me Divertiria Afú”. Bica “Sleeper Hold”.

Portishead – Third: “fique atento para a regra dos três. o que você dá retornará pra você. você só ganha o que você merece” na intro do álbum faz toda aleatoriedade da banda ter algum sentido, ou no caso, sentido algum. A impressão é que Beth Gibbons nem faz ideia sobre qual música ou melodia vão colocar sua voz, ela simplesmente canta e confia (raras exceções, como “Hunter”, parece conectar voz e melodia). Outra impressão é que os cabeças ali ficaram dez anos ouvindo vários discos e resolveram fazer uma síntese do que mais gostaram, e se não, “We Carry On” soa feito um Liars melhorado. A audição é estranha no começo, difícil no processo, e cavalar no final. Como Dummy, só entendido anos depois, a impressão desse terceiro é a mesma. É o melhor disco de 2015, por aí.

Tv On The Radio – Dear Science: a parada orgânica é o que de fato me chama a atenção, de como as guitarras entram no lugar certo (em distorções ou grooveando), em como a bateria soa limpa, ou mesmo as cornetas soam discretas. O exemplo mais latente disso, pra mim, está em “Dancing Choose”, uma porradona político-eletrônica onde os bléin-bléin de guitarra (e cornetas) fazem toda diferença. Ou na camada shoegaze e dançante de “Shout Me Out”, a MELHOR FAIXA DO ANO. Sitek, o produtor, é um dos caras que mais tem a manha de fazer esta justaposição no momento. A crítica ao primeiro disco era muito pontual sobre a cacofonia sem fundamento, um teste aleatório, e onde se transformassem aquilo em música virariam uma puta banda. E assim fizeram. (Nunca uma TESE minha foi tão fundamentada quanto a trajetória desses filhos).

Foals - Antidotes: co-produzido pelo mano Sitek, tu nota bastante as tais justaposições. A banda dá uma atenção muito especial aos timbres de bateria, cornetas aparecem de mansinho preenchendo espaço, e quem faz groove é a guitarra (fixação em dedilhos). Tanto quanto no TVOTR, você nota uma aura bastante cool-sintética-pretensiosa-jazzy mesclada a um proto-dance TÍPICO para danças do esquisito (M.F.Renner®). Ah, não tem nada a ver em eu achar stylo o cabelo do vocal ali {SIC}.

Bon Iver – For Emma, Forever Ago: uma das coisas difíceis da vida é a confissão, e devo confessar que andei vendo Grey’s Anatomy no ano. Vocês sabem, é desses lances que seguirei falando mal e que não consigo mais perder. E tem o Patrick Dempsey, meu ídolo de infanto-adolescência. E numa dessas caí num som dessa banda no seriado. Numa dessas está em diversas listas de melhores do ano. E numa dessas, outra confissão. Acho folk algo meio xarope, mas a empregada por esses manos tem uma força, uma verdade, uma tristeza ou seja o que for tão alucinante, que não duvidaria que pudesse chorar ouvindo as músicas, caso estivesse no espírito down (e não estive). O vocal é dum exotismo ímpar, e há quase mais nada além dele e de violões. Recomendo, e seja lá quem for essa Emma, ela deve ter tido um puta nó na garganta quando ouviu.

SE FOSSE UM TOP 21 OU -- JÁ GOSTEI MAIS

Elf Power – In a Cave: em algum ponto parei de acompanhar o pessoal da Elephant Six por nenhum motivo exceto o da minha descontinuidade. Perdi o disco anterior deles, o primeiro pela RykoDisc, primordial selo por onde também lançaram esse play de 08. A banda segue exuberantemente lugar-comum, uma pop-psicodelia simples de arranjos, timbres e composições muito satisfatórias. Destacaria “Paralyzed”, “The Demon’s Daghter”, e “The New Mythology”. Aos antigos, lembra muito a fase Winter is Coming/Dream in Sound, e aos novatos, soa feito um Belle & Sebastian para heteros.

Of Montreal – Skeletal Lamping: ao contrário, o Of Montreal soa cada vez mais disfuncional, e algumas músicas com mais variações que "Bohemian Rhapsody". Ao longo do álbum, às vezes parece genial, depois excêntrico, ou irritante, e enfim, também parece uma merda. Somando as que parecem geniais e/ou excêntricas me sobrou 4 faixas. Deletei o resto.

A Silver Mt. Zion – 13 Blues for Thirteen Moons: uma música de 14 minutos, outra de 16, e outras duas de 13, e muito, mas MUITO conceito embutido na coisa toda. Diferente do que já foi a banda, temos pontos positivos: uma guitarreira ruidosa invariavelmente ocorre, se tu tiver paciência de esperar (na faixa-título é no comecinho). Pontos negativos: a parte “quiet” das músicas são MUITO chatas, às vezes até “jazzy”, e o vocal (sim, eu disse vocal) demonstra o porquê de antes ser tão pouco usado. Piada infame por minha conta: se “1,000,000 Died to Make This Sound”, certamente outros 1,000,000,000 morreram ao tentar ouvi-lo inteiro. Brincadeirinha aí, ô, pós-rocker.

Jonny Greenwood – There Will Be Blood: Original Score: isso não fluiu delícia na primeira vez e achei que talvez fosse por eu esperar algo muito, mas MUITO diferente (botões, barulhinhos, etc). Depois que vi o filme (e vi só depois) mudei de ideia. Não fluiu delícia porque a coisa é intrínseca, “original score” é música dependente, é som imaginativo, precisa de imagem (a do filme ou da tua cabeça, nem faz diferença) e desde então, passou a fluir delícia. Até toquei “Prospectors Arrive’ numa noite chuvosa duns 5°, e uma mina ligou dizendo pra pelamordedeus eu trocar de faixa.

Peter Bjorn & John – Seaside Rock: não é exatamente pra ouvir direto, mas funciona ótimo como ambient music pra deixar rolando enquanto faz a barba ou levanta uns pesos. E estive fazendo muito dessas coisas da metade do ano pra cá.

Hot Chip - Made in the Dark: eles usam cada vez mais guitarras e baixos ali, e numa mão ainda assim soam cada vez mais dançantes (embora inspire um tipo de dança meio bisonha). Noutra mão o disco é cheio de baladinhas cool. É o mais massa dos discos do Hot Chip até agora, e olha que repetir "you're my number one guy" insistentemente não é aquilo que deveria me incentivar a ouvir. Ok, relax, é só uma música. (bambis).

My Morning Jacket – Evil Urges: como ficar imune a GRUDÂNCIA de melodias altos soft-rock como “I’m Amazed”, “Sec’ Walkin”, ou mesmo “Evil Urges”? Como não achar AUDACIOSO uma banda do interior das grota dos estados unidos republicano arremedo de neil young e que faz algo ao estilo PRINCE em “Higly Suspicious”? (audaciosa não exatamente boa). As melhores são "Touch me i’m going to scream” Pt. 1 e 2. Pago muito pau, mas acho álbum anterior, Z, melhor.

Fleet Foxes – Fleet Foxes: “caros colegas de muitas publicações indies do mundo. Nada contra a escolha do álbum do Fleet Foxes como o melhor de 2008. Concordo que seja um belo disco, ainda mais pra uma estreia. Apenas devo fazer o adendo de que ele já foi lançado antes, faz bastante tempo, e em anexo tomei a liberdade de mandar-lhes o link em rapidshare. É o primeirão do My Morning Jacket. Ah, também sugiro que todos vocês refaçam a edição ‘Os Melhores Álbuns de 99’. Saudações do Brasil”.

M83 – Saturdays = Youth: shoegazer de sintetizador não é essencialmente uma de minhas predileções. Mas o filhão Gonzalez acertou a mão dessa vez, numa óbvia viagem enxaguada em psicodelia, às vezes enchendo o saco num insistente CoteauTwins-sismo. Noves fora, desovou uma PÉROLA como “Graveyard Girl”.

Deerhunter – Microcastle: aliás, sem querer afetar suscetibilidades, o Deerhunter faz shoegaze pra quem não manja porra alguma de shoegaze. Nem por isso seu shoefake deixa de soar interessante em dado momento. Momentos, claro, que não passam pela LATENTE semelhança a trilha sonora de Grease em certas faixas. (PS: como o disco vazou quatro meses antes, eles lançaram um álbum inteiro de bônus, muito melhor.)

Metallica – Death Magnetic: não seria nada mais que óbvio concluir que eles já tiveram discos melhores (no mínimo cinco). Então, mais que dizer se gostei ou não (e gostei), uma pergunta: quantas bandas com mais de 20 anos de carreira fazem algo mais relevante hoje do que um dia já fizeram? Nenhuma? Então relaxa, a tendência é tu também piorar em CERTAS COISAS a medida que o tempo passa. Aproveita o que dá.

BROCHADAS

Brian Jonestown Massacre – My Bloody Underground: o filhão ali entrou numa egotrip das mais hippies, com músicas enormes e chatas. Acho que ele não sacou que Dig! o trata como o ícone da mediocridade e não o ícone da genialidade. Ou sacou, e fez algo muito medíocre de propósito (o que seria, convenhamos, genial). Ha, ha, ha.

Weezer – Vermelhinho: a capa já é dantesca por demais. Não bastasse a falsa idéia de “aversão” e “tiração de onda” ao sucesso que passam (“Pork and Beans” é disparado o single mais insosso da banda), foram cagar justamente na cor mais bonita. Como eu faço agora, se o azulzinho é foda?

Guns N’ Roses – Chinese Democracy: ah, sei lá, tipo, esperava que fosse sair algo ali. Mas confesso ter ficado deprimido em alguns sons. Desenvolverei no futuro.


INDIEZINHOS DE SEMPRE [E OUTROS NÃO]

The Killers – Day & Age: Regressão. E da grossa.

King of Leon – Because of the Times: gostei de algumas músicas, deu pra sacar que evoluíram e não são apenas caipiras funestos. Agora, fazer o mesmo disco again and again comigo não vai funcionar, certo?

We are Scientists – Brain Thrust Mastery: acho que só a minha emissora e eu ainda nos demos ao trabalho de ouvir o disco desses magrão. E um trabalho meio que perdido.

Vampire Weekend : muito incensados pela mídia ali, pra mim não rolou. Tudo que consegui captar do som “indie kids mesclando ritmos africanos” foi “indie kids”. E só.

Mgmt – Oracular Spectacular: apesar dos singles que enganam, a dupla é apenas uma hipérbole-indie-kid dos Flaming Lips. Nada tão bom muito menos tão ruim.


Bloc Party – Intimacy: Regressão. E da grossa.

Kaiser Chiefs – Off With Their Heads: não é que eu ache os singles essencialmente bons, mas vejo neles bom potencial radiofônico. E as não-singles são terríveis.

Ting Tings – We Started Nothing: não achei massa. Electro bem insosso, comparado ao que ouvi no ano, com rompantes “wannabe gwen stefani” ultrajantes.

Last Shadow Puppets : achei legal as de clima vintage (“Stand the Next to me”) e não os rockinhos genéricos. A banda do outro magrão, The Rascals, é altos xarope.

Razorlight: nem ouvi, até porque um disco por ano dessa joça não eras.


DANCE – AUSSIE INVASION

Midnight Juggernauts - Dystopia: australianos, um ELECTRO quase orgânico não fosse o som entupido de RIFFS de sintetizador. A música é “Into The Galaxy”, muito foda.

The Presets – Apocalyso: australianos, tipicamente “dance-punk” de batidas pesadas em meio a “guitarras”. Não dá pra ouvir geral o disco, mas singles como “My People” empapam as paletas de suor. Principalmente ao vivo. Já vi os filhão e são ótimos.

Empire of the Sun – Walking on a Dream: australianos, psicodelia electro, VAGAMENTE parecido com o MGMT, só que mais feroz. Ouve a faixa-título e saca.

Cut Copy – In Ghost Colours: australianos, vão numa vibe similar a do Justice, um simulacro estético-orgânico, e um dos produtores do disco é o Tim Goldsworthy.

Van She – V: australianos, são os mais próximos do que podemos chamar de “rock” dessa leva, com synths justapondo som orgânicos e vice-versa. Sipá, lembra um Bowie shoegazer. Recomendaria “Cat & The Eye” e “Changes” (que não é aquela).

[E não virei clubber nem australiano.]

DESENCAVANDO O PASSADO

Lift To Experience – Texas-Jerusalem Crossroads (2001): um acinte de shoegazer e psicodelia, distorções estourando os ouvidos por tudo que é canto, vocal pastoral, e um disco conceitual sobre “três garotos do Texas cheio de ideias até que o Anjo do Senhor aparece pra eles dizendo: [...entre outras coisas...] os EUA é o centro de Jerusalém”. O conceito é de EXTREMA demência e as músicas de EXTREMO culhão guitarreiro.


A Silver Mt Zion - He has Letf us Alone, but Shafts of Light Sometimes Grace Corner of the Our Rooms (2000): exuberante, transcendental e divino. Uma das canções mais COMOVENTES ever, “For Wanda”, era para a cachorra do judeu, que morreu de câncer. Quase todo instrumental, do pouco falado é em referência ao JUDAÍSMO, e dum cara chamado EFRAIM MENUCK não esperava nada diferente. Nem tudo é perfeito.

Godspeed You Black Emperor: F# A# ∞ (98): estreia ali do Efraim, noutra banda, um casamento perfeito em termos de ideia e resultado. O conceito é o fim do mundo e o apocalipse e as músicas te fazem realmente querer ir pra debaixo da cama. “East Hastings” faz todo sentido naquela cena de Extermínio do Boyle, pro cara se borrar mesmo. Caso tu aguente mais de uma hora de imersão semiexorcista, vai fundo. Mas deixa a luz acesa.


Feliz 2009, aí amigos.

postado por: mim 6:53 PM



Quarta-feira, Dezembro 24, 2008

FIFTY BILL

Uma matéria de 4 de julho ali no The Phoenix, com as Melhores Bandas, Artista Solo e Nova Banda, de cada um dos 50 estados norte-americanos. Exercite sua nerdice, é bem legal.

postado por: mim 8:40 AM



Quarta-feira, Dezembro 17, 2008

EMPTINESS

The mind is an empty box within an empty box.

postado por: mim 11:16 AM



Sábado, Dezembro 13, 2008

ME DEIXA, QUE HOJE EU TÔ DE BOBEIRA. BO-BEI-RA-A-A

Camaradas das antigas, dois já com filhos. Saímos ali, aquele lance playba, me fantasiei de yuppie e fomos. Dublin Irish Pub, na 'Calçada da Fama'. Velho, Porto Alegre consegue ser um maldito gueto provinciano quando se puxa. É incrível como o high-society daqui não difere em nada dum baile de formatura genérico e cafona. Tudo bem, o lance não é pra mim, mas mesmo que minha vida fosse interligada a planilhas de excel e palavras como "gestão" no cotidiano, aquilo que as pessoas fazem num lugar como aquele is totally depressing. E o lugar até tem certo culhão. A cerveja é boa pra cacete (cara, ok), os quadros do lugar são bem massa (todos de rrrrrock), e a banda cover lá faz o que dá pra fazer sendo uma banda cover. As pessoas que são palhas mesmo, e tudo que resta é passar a noite analisando vergonha alheia. A gordinha que dá uma de gostosa, o cara de camisa Lacoste tomando um toco atrás do outro, o careca fortinho de social que acaba pegando uma loira baranga (sempre tem um carena fortinho nessas festas, pode reparar), as minas que te olham com uma certa cara de nojo como se tu fosse, de fato, chegar nelas. A coisa mais deprê nessas festas de playbas é o jeito como as pessoas se paqueram. Parece tudo um esquete de seriado ruim. Então prefiro não fazer nada, apenas fico bebendo e dando umas risadas com meus camaradas ali na caça, só pelos velhos bons tempos. Mas, como ironia recorrente, o carinha testudo, que bebe "drinks", salário cinco vezes maior que o meu (cinco, seis, sete?) trovou a gostosinha minutos a fio antes dela ficar comigo.


A diferença é que ele é ele, eu sou eu. Podia começar a dar consultoria pra esses filho.




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Tava passando um lance do Rappa na MTv e lembrei que um dois melhores shows nacionais que já vi foi justamente deles. E com esses meus camaradas das antigas. Ali por 98, 99, um evento de graça da prefeitura, à beira da praia de Imbé. Tinham outras bandas, algo como Nenhum de Nós e Chiclete com Banana. Foi muito foda porque aparentemente só a gente conhecia a banda, eles tavam na 'tour' daquele disco de capa amarelinha. Era um disco que a gente consumia muito, principalmente na praia. "Tumulto", "Quero ver Gol", "Hey Joe", foi muito foda. A gente pulava, gritava, abria rodas, a gente era basicamente aquele mala super-empolgado de todo show. Até quase deu confusão, porque o Maicon tinha a habilidade de sempre chegar na mina errada. E naquela época, se desse confusão, era sinal de que a gente tava inside e não outside. Voltamos pra casa a pé pela beira da praia mesmo, até Mariluz, coisa de 4,5km. Tudo bêbado, banho de mar, zoando geral. Rolou até too-quick one-night-stand. Bons tempos de guri.
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Aí mataram uma tia ginecologista em Sampa na frente da baia dos sobrinhos. A reportagem tava ali altamente clichê sobre a violência, os assassinos que fugiram, amigos dizendo a amiga de bom coração e excelente profisional que ela era. Mas achei muito sinistro a ênfase que deram de como ela gostava dos sobrinhos, ilustraram a reportagem até com um print do orkut da tia, que ela tava na comu "Eu amo meus sobrinhos", e um depô de uma sobrinha sua, de como amava a tia. 1) o que raios a porra do orkut tem de relevante pra ilustrar algo importante assim? 2) sou apenas eu moralmente reprovável ou vocês também acham que toda essa valorização de amor aos filhos dos irmãos é nada mais que dizer nas entrelinhas que a tia era baita solteirona?
que merda, globo.
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Putz, agora chega. O Cuca assumiu como técnico do Flamengo. Tava horas querendo escrever algo sobre esse brasileiro. De como o Muricy fez milagre num time que dependia basicamente de três dos jogadores mais instáveis do país: o pipoca Jorge Wagner, o peladeiro Hugo e o mais-cai-do-que-faz-gol Dagoberto. Dou o braço a torcer, o Muriçoca é o cara. De como as gazelas ali viraram uma torcida de estacionamento, que comemora vagas e não títulos. De como a importalidade delas sucumbiu aos onze pontos de vantagem que tinham. E de Cuca.
Puta merda. O Cuca treinava o Botafogo que fazia campanha sofrível até trocá-lo e lutar até mesmo pela vaga na Libertadores (vagas, ah, as vagas). Foi o treinar o Santos às voltas com a zona do rebaixamento. Cuca não apenas fez o Santos descer à zona, como parecia ter feito um serviço sujo que ninguém conseguiria limpar. Ele saiu e o Santos se recuperou, no entanto. Finalmente, Cuca foi treinar o Fluminense já na zona do rebaixamento. Oras, como a inocência humana seria capaz de crer que logo Cuca os tiraria de lá? Não tirou e foi demitido, e o Fluminense se safou da segundona prontamente. Porra, o Cuca é um merda. Um treinador medíocre, medroso, limitado. E tem uma índole derrotista. O Cuca tem a TESTA FRANZIDA naquela inflexão de coitadinho. Aquela vez que as gazelas estavam pra cair (eu sei, foram tantas) contrataram o Cuca que no segundo jogo já chorava dizendo "acho que não vai dá". Cuca treinou o SPFC nos últimos cinco anos, e mesmo no SPFC conseguiu fracassar. Eu realmente não entendo qual o critério de merecimento que existe no futebol. É por isso que jogadores e técnicos de clubes que caem pra 2ª estão pouco se fodendo. Eles sabem que vão ser contratados igual.
Aliás, após o PARADGIMA CUCA, nesse brasileirão, a CBF deveria baixar uma lei para os técnicos, tanto quanto faz para jogadores. O de poder treinar, no máximo, dois clubes. Não consigo admitir a idéia da mediocridade ser premiada. Inclusive, sendo mais utópico ainda, acho que poderia haver um TETO SALARIAL para treinadores. O Celso Roth assinou a renovação ali por 250 mil paus/mês. Mas que merda é essa? O cara jamais ganhou NADA! E nem quero dizer que o salário é exorbitante pra um país como o nosso, ou que não deva ganhar porque treinadores são burraldões (existem vários setores onde burraldões ganham muita grana), mas pelo questão mérito. 250 barão POR MÊS? Perdoem a minha ignorância, mas um gestor duma multinacional fodona ganha isso? I don't think so. Lidar com jogadores, aguentar esculhambada de dirigente, arriscar tomar pipoco da torcida, não deve ser fácil ser técnico mesmo. Mas esse número, 250.000, não dá. Não dá. Celso Roth. Não sei exatamente qual deveria ser o TETO, mas acho que 1/5 disso já estaria ótimo pra todos esses ônus. A meu ver, e falo bem sério, a grana que essa gente ganha no futebol é um TOP 10 no livro 'Porque o Mundo de Hoje tá um Caos'.
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Aos interessados, uma matéria interessante sobre covers no NY Post. É uma lista, na verdade, sobre 100 grandes covers já feitos. Olhando a lista, de cara pra mim faltou:
- Red House Painters - 'Follow in Follow me' (Genesis): na lista tem Postal Service, com 'Against All Odds' do Phil Collins, mas acho essa uma daquelas versão metidas a engraçadinhas, pra indie achar inusitado. A do RHP, não, é uma versão maravilhosa, apaixonada, que tira da música tudo aquilo que ela não pôde dar no arranjo canhestro da original.
- Thursday - 'Ny Battery' (Sigur Rós): acho massa o som do Thursday, embora às vezes cair numa rebeldia adolê. Não é o caso dessa versão. No clímax da música, onde entra a orquestra no som original, o Thurday esbugalha o palhaço em gritos e guitarras oitavadas.
- Weezer - 'Velouria' (Pixies): Acho mais legal que a original, mais "forte".
- Helmet - 'Army of Me' (Bjork): porque a banda prova que um riff sintético pode ser perfeitamente um riff orgânico. E o som é uma patada no cu.
- The Clash - 'Police and Thieves' (Junior Marvin): porque como "Guns of Brixton", é uma reggaera do Clash entorpecido no baixo e não em tchaca-tchaca de guitarra (como Revolution Rock). A produção do Lee Perry deu um ganho na música que a original não consegue ter.
- Dios [Malos] - 'Birds' (Neil Young): seja um indie e baixe esse som.
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Essa banda de rock do Júnior da Sandy é uma merda einhô?
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postado por: mim 3:10 PM



Sexta-feira, Dezembro 12, 2008

SONG FOR THE DEAF

Vez ou outra alguém comenta de como eu falo pouco pra um comunicador. Não vejo nenhum sentido nisso. Não seriam as pessoas que falam demais?





[Apaguei o resto do post. Me desculpem se a internet é assim, gurizada]

postado por: mim 11:10 AM



Sábado, Dezembro 06, 2008

VOID #44 [DEZEMBRO]

Última edição do ali. Segue a coluna, reviews e matéria para Seção Ruídos, bastante clichê, tente aproveitar as "tiradas engraçadinhas". O pessoal faz um apelo pra eu falar mal das coisas.

SEGURA NA MÃO DA TENDÊNCIA E VAI
Última edição do ano, vamos com um assunto light: filmes pornôs. Não sem antes aproveitar que é época de retrospectivas pra fazer uma pequena recordação. Lembram que em Void #37 escrevi que a Playboy não faz mais ensaios relevantes, é só refugo de reality show? Caso não lembrem, tudo bem. Esqueça também essas revistas. A parada agora são filmes “adultos” (adultos? Quando eu era piá, já tinha visto vários), e a questão não é sobre sacanagem, é mídia, e daria até monografia. “A Celebretização Pornô: O Cinema Adulto Contemporâneo Como Veículo de Penetração Midiática”. Talvez trocando “penetração” por “inserção” pra evitar o trocadilho infame – e óbvio – demais. Eis o cerne. Esses “famosos”, se ligando que tirar a roupa não choca mais nem vovós judias, aderiram ao sexo explícito filmado. Não por gostarem de transar ou grana (isso aí é balela), o real motivo é a fama. A busca ou recuperação. Primeiro foram apenas veteranos sem mais nada a oferecer, na laia de Rita Cadillac, Leila Lopes, Gretchen e outros. Mas, hoje em dia, isso virou porta de entrada também (sem trocadilho). Vejam a dita sobrinha da citada Gretchen, ilustre desconhecida. Em três meses passou de sobrinha a atriz pornô, e com bela estratégia de marketing. Lançou “Fiz Pornô e Continuo Virgem” alegando ter feito apenas sexo anal (conceitos de “pureza” a parte, ela está tecnicamente certa), e um outro, onde de fato “deixou de ser virgem”, com a “perda do hímen” frente às câmeras. E isso foi só o começo, muitas outras fake celebrities virão (apostaria alto em alguma “mulher fruta”). Mesmo porque, na gringa, esse processo é antigo e começa até mesmo a reverter, com as estrelas do chamado X-Rated assumindo papéis em Hollywood. A veiculação do sexo começou na forma caseira, em fitas de Pamela Anderson (lendária, não deixe de ver), e da magricela Paris Hilton. Depois em filmes de indies para indies usando sexo de escapismo, como Nove Canções, Ken Park, Shortbus e Brown Bunny, esse onde o diretor Vincent Gallo filmou um boquete explícito de Chlöe Sevigny nele mesmo (espertinho o Gallo, ein?). E se funcionou com amadores, haveria de funcionar com profissionais. Em tempos idos, Boogie Nights apresentava a atriz (pornô) Nina Hartley de coadjuvante. Agora, dois exemplos ainda mais factíveis. Pagando bem...que mal tem? (estréia 09 de janeiro), do diretor-geek (portanto, punheteiro) Kevin Smith e com o queridinho Seth Rogen no elenco, narra a vida dum casal que resolve fazer um pornô pra pagar dívidas. Nele, a porn-star Katie Morgan tem um dos papéis centrais, e a eterna Traci Lords outro. Mais fundo ainda (epa!), o oscarizado Steve Soderbergh (da franquia Onze Homens e Um Segredo) chamou Sasha Grey para estrelar The Girlfriend Experience. Atriz pornô, e se me permitem a franqueza, uma tetéia. Antenados a coisa (menos que eu, claro), o LA Times publicou a reportagem “o cinema pornô e sua influência pra cultura pop”, com fotos ilustrativas bem interessantes. Vasculhe por aí, porque a tua desculpa já está até pronta. Isso não é mais sacanagem. É tendência.

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RESTROSPECTIVA 2009
Esse ano está quase no fim, mas o próximo já bate a sua porta, numa simples virada de folhinha no calendário. Então não vacile. Projete, antecipe, planeje. E pra facilitar a tua vida, apresento pra vocês um geralzão do que melhor deve rolar em 2009, em termos de shows, discos e outros quitutes. Mas, é claro, também te mostro as grandes cagadas programadas pra acontecer no ano. Porque nem só de coisa boa se vive o homem.

ESPERE NA FÉ:

Franz Ferdinand: a maior pequena banda do mundo lança seu aguardado terceiro álbum, Tonight: Franz Ferdinand, logo no mês de janeiro. A fraquíssima “Ulysses” já está disponível na internet, no oficial www.myspace/franzferdinad. Vai lá.

U2: a maior grande banda do mundo lança disco, provável que em fevereiro. O nome deve ser No Line on the Horizon, com produção dos velhos conhecidos Brian Eno e Daniel Lanois, depois duma experiência fracassada com Rick Rubin. Ou seja, não se preocupe. O disco vai ter baladas e alguma canção política, exatamente como todo disco do U2 desde 1979. E o pior, você vai gostar.

Slayer: headbangers de plantão, vibrem. A única banda veterana de metal relevante na ativa lança mais um álbum ainda no primeiro semestre. Pelo vídeo com a gravação da música “Psychopathy Red”, lançado via internet, o lance vai ser uma patada nos bagos, algo que faz o Metallica parecer uma reunião de senhoras tomando chá com bolinhos. Como diria a sabedoria metaleira, “Tom Araya is our Elvis!”.

Dez das catacumbas: ainda devem lançar disco em 2009, anota aí.
- Depeche Mode, em abril;
- No Doubt, com Gwen Stefani;
- Roxy Music com Brian Eno e tudo (a banda não lança algo desde 82);
- Fleetwood Mac, talvez com Sheryl Crown, bã aí;
- Pearl Jam, com o produtor Brendan O’Brien após dez anos;
- Stone Temple Pilots;
- The Strokes, eles que disseram.
- My Bloody Valentine, em processo desde 91, é o Chinese Democracy indie.
- Amy Winehouse (se continuar viva);
- Racionais MC’s (vida loka, mano!).
- The Smiths!: pegadinha. Esses não voltam nunca mais. Mas Years of Refusal, o novo do Morrissey, sai até junho.

Vá NO SAPATINHO:

Elton John: um dos maiores cantores-compositores do mundo aporta no Brasil para dois shows. Dia 17 de janeiro, em São Paulo, no Anhembi e dia 19 no Rio, na Praça da Apoteose. Treze anos depois, ele deve destilar clássicos como “Tiny Dancer”, “Rocket Man”, “Your Song”, e para relembrar Marilyn Monroe (ou a Princesa Diana, caso você seja um prego), “Candle in the Wind”. Quem sabe role a trash “Nikita” também. A abertura ficará por conta de James Blunt, porque não se pode ter tudo nessa vida.

Radiohead: após vários anos de vem-não-vem e sete discos de estúdio lançados, os ingleses finalmente chegam ao país pela primeira vez para duas apresentações. No Rio de Janeiro rola na Praça da Apoteose, dia 20 de março, e em Sampa no Jockey Club, dois dias depois. Os ingressos saem por R$ 200 (meia-entrada para estudantes), no site www.ingresso.com.br. De lambuja, o Portishead (ainda não confirmado) deve vir pra abrir esses shows. Enfim, caso o Radiohead venha mesmo, a única grande lenda da música a ser desvendada será se Roberto Carlos tem mesmo uma perna mecânica.

Coldplay: na mesma época do Radiohead, aliás, na mesma semana (!), estes vêm ao Brasil pela terceira vez em cinco anos. Desta vez para nada menos que seis apresentações. Duas no Rio, duas em SP, uma em Belo Horizonte e uma em Porto Alegre. As datas ainda não são oficiais, mas POA deve ficar com o dia 21 de março. Prepare-se para facada, que não vai ser pouca, meu bruxo.

Mais shows: Peter Gabriel está fechado para março, Wilco para abril, Sonic Youth (ainda não oficial, pra abril ou maio). O grande Paul McCartney também deve vir, e claro, o Iron Maiden outra vez (mas esses devem morar escondidos por aqui).

Buenos Aires: Nesse ano que terminou, várias bandas legais passaram pela capital portenha sem dar as caras por aqui. Entre elas, Black Rebel Motorcycle Club (duas vezes), o ex-vocalista do Suede, Brett Anderson, o ex-Pulp Jarvis Cocker, e a banda Stone Temple Pilots. Fique de olho na internet e aprenda um argentinês básico.

Festivais: prefere ver milhares de bandas pagando um único ingresso? Uma solução são os festivais. Tome nota dos principais do mundo, do país, do estado, ou da tua vila.

Gringa, se o dólar der aquela força:
- Big Day Out (Austrália e Nova Zelândia – janeiro)
- Coachella Festival (Indio, Califórnia – abril)
- South by Southwest (Austin, Texas – maio)
- Glastonbury (Inglaterra – junho)
- Roskilde (Dinamarca – julho)
- T in The Park (Escócia – julho)
- Benicàssim (litoral da Espanha – julho)
- Rock Werchter (Holanda – julho)
- Montreaux Jazz Festival (Suíça – julho)
- Wacken Open Air (heavy metal na Alemanha – julho)
- Rock em Seine (Paris, França – agosto)
- Reading Festival (Inglaterra – agosto)
- Creamfields (eletrônica: vários países – vários meses)

Brasil, se a coisa apertar:
- Abril Pró Rock (Recife)
- Porão do Rock (Brasília – julho)
- Skol Beats (São Paulo – julho/agosto)
- Tim Festival (Rio-SP – outubro)
- Planeta Terra (São Paulo – novembro)
- Goiânia Noise (novembro)

Rio Grande do Sul, antes nada do que...nada:
- Planeta Atlântida, em fevereiro, no simpático balneário gaúcho. Dizem que Jota Quest e Nenhum de Nós já estão confirmados. {Sic}


TENHA MEDO:

Cadillac Records: esse é o nome do filme que vai contar a história da gravadora Chess. Nele, a maior cantora de todos os tempos, Etta James, será interpretada pela Beyoncè. Melhor dizendo, “interpretada”. Que Jeovah nos proteja de todo esse mal.

Retorno do Led Zepellin: após o vexame do retorno aos palcos de Queen e The Doors, o Led também deve mesmo sair em turnê sem o seu vocalista, e com um agravante: Robert Plant, a voz do Led, está vivíssimo. Junto de Jimmy Page e John Paul Jones, o novo escolhido para cantar deve pagar o maior mico do ano. Ainda maior que o atual baterista Jason Bonham, que não chega nem à unha do mindinho do que seu pai tocava.

Shows cancelados: Em 2008, Porto Alegre teve dois shows cancelados pela baixa procura de ingressos, o Nine Inch Nails e o Duran Duran. E a culpa é de quem? Das pessoas, que não compram o ingresso? Ou das produtoras, que confirmam mega-atrações internacionais na dependência se haverá (ou não) bilheteria? Seja qual for a resposta, caso algum show seja confirmado pra cidade em 2009, fique com o pé atrás. E o telefone do PROCON a tiracolo, por via das dúvidas.


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REVIEWS

Ac/Dc – Black Ice
Uma das condições pra se gostar dum Ac/Dc novo é que ele seja a mesma coisa de sempre. Boas novas, então. Black Ice destrincha o melhor deles, com melodias calcadas 100% em riffs, solos que não enjoam o estômago, cozinha mais pesada do que nunca (é uma marca desse Ac/Dc “repaginado”), e vocais marcantes, até mesmo pra quem acha ele uma bosta. Ao longo de quinze faixas, o melhor fica na antêmica “War Machine”, no boogie-rock dançante da faixa-título, e “Rock N’ Roll Train”, com o refrão mais rock-de-estádio do ano. Não há nada pra se desgostar. É a melhor mesma coisa de sempre deles em duas décadas.

Snow Patrol – A Hundred Million Suns
O Snow Patrol em seus dois últimos álbuns passou do indie ao mainstream com dignidade criativa, fidelidade aos fãs, e, sobretudo, muito talento em esculpir belas canções. Porém, depois de até mesmo encabeçar a trilha sonora de Homem-Aranha 3, com a música “Signal Fire”, o que vemos aqui é um excessivo uso da chamada “fórmula fácil” de composição. Ainda existem pérolas ocasionais, e hits de seriado teen, como “Take Back The City”, “Lifeboats” e “Disaster Button”, mas canções descartáveis também aparecem aos montes. Cabe a você escolher as certas.

Skank – Estandarte
Novela da Globo e Skank são quase sinônimos. Já foram dezoito temas (dezoito!), e “Ainda Gosto Dela”, com oportunista participação da ex-rapper Negra Li no vocal, está em Negócio da China. É nada mais que um enxerto da melodia de “Beleza Pura”, cover de Caetano da novela anterior. E ao longo de Estandarte, pouco ou nada se salva. Metade dele é uma água-com-açúcar de quem descobriu Beatles com mais de trinta anos de idade (eu descobri aos nove) e sacou nada, e metade é pop canhestro que não passa perto dum hit massa como “Pacato Cidadão”, que bombou no tema de A Próxima Vítima.

postado por: mim 12:24 AM



Quinta-feira, Dezembro 04, 2008

VICKY CRISTINA BARCELONA: Judaísmo em baixa voltagem

1.
Será que um cara parecido com a personagem do Chris Messina e o oposto da personagem do Javier Bardem ficou (ou fica) puto com alguém parecido com a personagem do Bardem? Ou melhor, será que um cara parecido com a personagem do Messina percebe isso e se identifica com ele? Ou melhor ainda, percebendo e se identificando, será que tem orgulho?

Eu não sei. Obviamente estou mais pro personagem do espanhol. Embora não estando num filme (ou não sendo O Javier Bardem) isso nem é tão bom quanto parece ou funciona. Não comigo.

2.
Mesmo assim. Camiseta Lacoste pra dentro das calças? Deus! It's not like me.

3.
Eu não tenho nada contra Vicky's. Mesmo sendo um tiro pé.

4.
Muito louco ter estado em vááááárias das paisagens das cenas. 75%, diria. Irei a Viena só pra fazer o mesmo caminho que o Ethan Hawke e Julie Delpy fizeram em Before Sunrise.

postado por: mim 9:41 AM



NAMORO

Entre as tantas diferenças óbvias entre o homem e a mulher está o uso da expressão "namorado(a)", logo que você conhece pessoas, num emprego, por exemplo.

A mulher SEMPRE dá um jeito de incluir "meu namorado" em alguma frase logo na primeira semana, QUIÇÁ, mesmo dia.

O homem SEMPRE tenta esconder se tem uma namorada até onde der. E esse até onde der, pode até mesmo ser depois de consguir descolar uma colega nova.


PS: deve ter homem que diz "minha namorada" de cara. Mas não vou julgar.


postado por: mim 9:33 AM



Domingo, Novembro 23, 2008

DA SÉRIE NUNCA CONFIE

1. pessoas que sorriem demais
2. pessoas de olhos claros. exceto Kurt Cobain
3.pessoas que nunca olham nos olhos
4. pessoas que nunca mudou o corte de cabelo nos últimos três anos (antes era cinco)
5. pessoas emocionais, mas metódicas. [NEW]
Como essa é nova, vou me permitir explicar. Não confie porque é incongruente.
Não há como ser emocional e delinear metas e gostos de forma metódica.
Certamente é alguém que pode (e vai) te usar com a desculpa de que não sabia.

PS: o contrário, sim, é totalmente confiável. Um racional impulsivo.
É alguém que contrário senso, pode (e vai) fazer qualquer coisa por você.

postado por: mim 3:33 PM



Domingo, Novembro 09, 2008

KILL YOUR IDOLS

Joguinho massa ali de adivinhar ídolos/personagens. Existem outros, esse é melhor.

Nesse link aqui ó. Eles fazem o máximo de 20 perguntas pra acertar.
Quando erram, te passam uma lista de opções pra você dizer o correto.

Numa melhor de dez, eles acertaram:
Falcão, o do Inter
Mel Gibson
Sérrgio Mallandro
Marvin Gaye
Beatles (em apenas 9 questões)
Lula (com apenas 11)

Erraram:
Thurston Moore –> Jon Bon Jovi
Zé Pequeno –> Leônidas I (??!??!?)
Truman Capote –> Walt Disney
Betty Faria – Regina Duarte

PS: destes errados, todas minhas escolhas haviam no banco de dados, até o Zé.

Prum desempate, acertaram JESUS após 13 perguntas. Os Beatles eram mais famosos.

postado por: mim 12:52 PM



Sábado, Novembro 08, 2008

RAPID EYE MOVEMENT

Muito bom o show do R.E.M ali, para fãs e não-fãs. Os caras tocam novas, velhas nem tão conhecidas assim, e seus mega-hits. Aliás, vamos e venhamos, pelo menos no Brasil o R.E.M não é uma banda de tantos mega-hits. Pra se ter idéia, a música mais ovacionada foi "Imitation of Life" (nem de perto algo da dita "fase áurea" da banda). As outras cantadas foram "Losing My Religion", "It's the End of The World", "The One I Love" e "Man on The Moon". Entre as 15 mil pessoas lá no Estádio do Zequinha, nunca houve um momento de histeria inacreditável. Isso decorre de outro fator. Vamos e venhamos, o público do R.E.M é formado por tiozinhos. Quando digo que a banda faz pop-rock de escritório não é pra ofender (juro), é fato. Via de regra, quem curte a banda é aquele casal meio genérico que nem se interessa por música tanto assim, o exato mesmo público que curtiu tranquilamente a abertura do Nenhum de Nós (é um fato).

Nada que a banda tenha a ver. o Michael Stype ali é um puta frontman, leva na mão até mesmo um público não tão receptivo e canta demais (canta e grita. E dança.). O Mike Mills é bem carismático também e ótimo baixista (pianista) e faz uns backing vocais da hora. O Peter Buck é bem mais discreto, exato como um guitarrista de rock-de-elevador. Alguma das músicas, a banda repete a perfeição (os hitzão citados, em especial), outras não. "Ignoreland" fica bem mais sujona, sem aquela tecladeira cafona; "Find The River" é tocada acusticamente. Aliás, "Let Me In" (que no disco é só um barulho de microfonia shoegazer, também vira play acústico). O que me deixou meio "decepcionado" porque somado a "Walk Unafraid" são minhas duas músicas favoritas. Essa última, também ganhou um arranjo meio descontrol, num refrão rápido demais, sem aquela pilhazinha lounge-eletrônica do estúdio. "Everybody Hurts" ali foi altos emocionante, "Drive" também, "The Great Beyond" idem, "Orange Crush" acho que o melhor momento.

Stype fez altos discursos pró Obama no show. Logo na segunda música, saudando que os EUA tinham um novo presidente, e no bis, onde pegaram a faixa "We Are Obama Too" de alguém do público. Também falaram sobre uma campanha de desarmamento da Anistia Internacional. Tudo em inglês, o máximo de português arrancado foi um "obrigado." Em palavras, porque em letras teve mais. Quando saíram do palco, antes do bis, a galera ia gritando pra voltarem e eles iam colando um a um pequenos post-it's numa câmera. "Não estamos ouvindo vocês", e depois de mais gritos "REM ama Porto Alegre!", efeito bem legal mesmo. O telão deles é algo bem foda. Porque eles misturam muito efeito visual pré-feito com "efeitos" em tempo real, ou seja, granulando as imagens, as colocando em P&B, estourando o foco, etc. Só depois de um tempo saquei que alguma das imagens era na verdade o show ao vivo. Algo de responsa.

O som do lugar era limpo, mas baixo prum show dessa magnitude. O estádio esse foi um achado para eventos de nível não-gigante, de fácil acesso e etc. Mas apenas duas saídas, para 15 mil pessoas simplesmente não rola. 30 paus de estacionamento, pra mim, também não.

O show tava tão da hora que me contive e nem ouvi o Inter massacrar o Boca Juniors.

postado por: mim 3:20 PM



VOID #43

Segue a coluna, matéria pra Seção Ruídos e reviews.

AMBIDESTRO
Alguns de vocês já devem ter percebido que vez ou outra aqui nesse espaço rola alguma piada sobre a esquerda festiva. Vocês sabem, invariavelmente eles parecem não saber bulhufas do que falam, e o pior de tudo: usam sandálias e as minas têm o sovaco peludo. Ou seja, é muito fácil fazer troça com um esquerdista, mesmo que na maioria do tempo eles nem entendam. Agora, isso é uma coisa. A outra, e bem diferente, é isso me fazer entusiasta do vírus endêmico e rancoroso propagado pela nata direitista (nomeando os bovinos: Reinaldo Azevedo, Olavo de Carvalho, Mainardi, Diego Casagrande) e seus filhotes, que vomitam suas teses em blog’s a base do Ctrl C Ctrl V. E bastou essa crise econômica mundial para todos saírem da toca, com os olhos rútilos e lábios trêmulos, e suas características marcantes. Arrogância, empáfia, pedantismo. Enfim, quase um gremista (aliás, nunca confie num gremista de esquerda, ele inexiste). A questão é que essa gente entrou em parafuso com a frase de apenas duas palavras: o capitalismo falha. Numa pequena busca pela internet você acha fácil o principal argumento deles: a culpa é do Estado. Peraí, deixe-me entender, com meu olhar de palpiteiro. A culpa verdadeira de grandes corporações capitalistas terem ido pro saco e pedido o penico é do órgão ao qual um capitalista nato sempre caracterizou como nulo e (ou) ineficaz? Hmm, isso denota certo conceito de ou, a) ironia; b) paradoxo; c) mentira [até porque, se o Estado é culpado, é o Estado Unido da América, dum governo republicano que direitistas costumam saudar]. Entenda, na visão do direitista, a intervenção do Estado quebra o “ciclo natural” da economia, que é, segundo eles, uma adaptação extrema do Darwinismo: os fortes lucram, os fracos falem. E a esses “fracos”, a morte, o fim e a dor. Mas, claro, isso se por um acaso esse fraco em questão não for ele mesmo, numa também adaptação, essa daquele famoso dito popular: “no cu dos outros é refresco”. E veja bem, nem é que concordo com o intervencionismo estatal pra “estancar a crise”. Aliás, como classe-média tradicional, me soa tenebroso, mas por outros motivos. O motivo da “injustiça” a “nós”, “povo”, que obviamente não recebe ajuda alguma se quebrarmos. Ao contrário, nessa hora o pensamento estatal é o mesmo do direitista (muitos conceitos de ironia, ahn?): quebrou, te fode! Inclusive, no final dessa conta, quem paga ela é mesmo você, não importa em qual altura esteja a cotação dum dólar da vida. Caso caia demais, o exportador tem prejuízo e reverte pra você. Caso suba muito, o exportador (que para se garantir investiu seus recursos no chamado mercado futuro) toma preju do mesmo jeito e reverte pra quem? Isso aí, você de novo. E nessa miríade de caos econômico, ficam aí esquerdistas e direitistas defendendo suas teses canhestras, os segundos apenas com a vantagem de ter mais convicção no seu blá blá blá e num novo desespero, agora o da eleição de Obama (ok, também errei nessa). “Malditos porcos capitalistas neo-linerais reacionários” X “malditos hippies sujos comedor de criancinha”. E se alguém acha que faço parte de algum clã, desista. Escrevo com a direita, mas chuto com a esquerda.


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BOEMIA ADOLESCENTE APÓS OS 40
Foi num domingo gélido no Beira-Rio, antes dum sofrível Internacional 1x0 Portuguesa que recebi esse Cd da Viana Moog das mãos do baixista, o Júnior. O lugar parece inusitado; a informação soa desnecessária; e a espera, de fato, longa. Assim é a existência da banda, onde o inusitado soa inverossímil se contado e não, presenciado, e onde cada detalhe recebe contornos duma mítica biográfica a ser explorada. Com sede em São Leopoldo, cidade suja e caótica, a Viana Moog tem uma trajetória foda só pelo fato de ainda existir. Mais que isso, sobreviver, quando tudo a sua volta demonstrou o contrário. Entre 03 e 04, o Vale dos Sinos pariu um modelo criativo à parte da capital. Dali emergiu uma série de bandas que não existem mais (Blanched, SOL, Not So Easy), zines que não existem mais (O Apanhador, Dissonância, Gordurama) e bares que não existem mais (Expresso 356, BR3, Andar de Cima a.k.a “Podrão”). De tudo, sobrou só a Viana Moog. Com um novo registro na praça, de um tempo que não existe mais.

Era 2002 quando assisti ao primeiro show, no extinto Expresso 356, São Léo. Uma destruição, uma desorganização senil de muito barulho e descontrole juvenil, aquele tipo de coisa inesquecível, mesmo que pra meia dúzia. Recebi nesse mesmo dia o Cd independente “Boemia Adolescente Após os 30”, gravação caseira que, embora desse certo verniz garageiro-junkie, desqualificava o potencial. Potencial incrustado em frases ao mesmo tempo auto-destrutivas e com referências cult’s, como "Eu odeio tudo, menos Henry Miller / atire em mim, antes que eu te mate", até hoje espécie de hino da banda.

Seis anos depois, até por isso esse álbum sem nome (Viana Moog) é mais importante do que poderia parecer num primeiro momento. Num plano em que bandas vêm e vão, algumas gravam Cd ajudadas por concurso de rock e voltam a ser nada (Os Cartolas?), a Viana Moog sempre foi alguma coisa, apenas nunca tinha gravado nada que prestasse. Produzido e mixado por Iuri Freiberger (Tom Bloch), o Cd potencializa de forma sem igual a qualificação deles. A bateria soa capaz de explodir as caixas do som, o baixo de estremecer o piso, as guitarras de quebrar os vidros, tudo é perfeitamente audível. A sujeira, energia e microfonias toscas ganham a companhia de riffs mais centrados, e os versos em formas de hai-kai do vocalista Éverton Cidade (só Cidade, aos chegados), ainda estão todos lá. “Ela usa meu sexo como um révolver”, cospe em “Santo Estéreo”, “coca, sweet, iceberg / quero o jeito certo de me suicidar”, grita em “Vertiplano”, “um abraço que não era abraço, de um amigo que não era amigo”, berra em “O Melhor do Espírito”, tudo soa tão enfático que mascara suas visíveis (e novas) imperfeições vocais.

Desde aquele show, vi mais de uma dezena deles, e as coisas mudaram um tanto na banda. Saíram um guitarrista e o emblemático Tisco, mix de performer e tecladista (era, de fato, um sintetizador fake) que levava as notas anotadas num papel da Herval, onde trabalhava. Entraram os guitarristas Cris Spaniol (o “Iggy Pop”), responsável pela camada de ruídos, e Luciano Reis (que ainda toca numa banda cover de Black Sabbath) com seu toque de “virtuose” a todo caos. Há dois anos, Marcos Rübenich (dos Walverdes) entrou na bateria no lugar de Felipe “Mac” Oliveira, criador da bela arte do álbum. Então, desde aquele show, restaram só o Cidade e o Júnior, uma penca de histórias, e São Léo virou uma cidade de saraus hippies, cover de Iron Maiden e “artismo” plástico de professoras quarentonas. Ou seja, voltou a ser São Léo.

Viana Moog, além de transpirar nos recorrentes temas de autodestruição e relações virulentas, agrega novos elementos sonoros, até pouco, impensáveis na sua receita Stooges+pós-punk. “Pollock no Olho Esquerdo” lembra o indie rock na moda circa ’06 (época da gravação), a balada “Scott” bebe em fonte absolutamente grunge, enquanto “Garota Católica Mártir”, outra balada, pesca seu riff direto de “Everyday is Like Sunday” (Morrisey). Mesmo as camadas de distorção em “Chagas Adesivas” e “Fleck” denotam “caos sob controle”, o exato oposto do desgoverno de outros tempos. O que vale dizer que o Cd registra exatamente o momento da banda, que subsiste há dez anos. Nem melhor, nem pior do que já foi: diferente. Diria até madura se fosse uma horta.

Viana Moog, nome da banda e do disco, é alusão ao escritor leopoldense de mesmo nome (Vianna Moog, de fato), membro da ABL de 1945 a 88, quando morreu. A idéia é uma forma de expor o “modo capilé”, e o de destacar a cidade em si, à margem de tudo. Essa proximidade rende fãs de histórias à parte, alguns sempre presentes nos shows da banda com intervenções de arte (ou não). Entre eles, Gabriel Renner (quadrinista local), Sérgio Rodriguez (artista plástico local), Giovani Paim (fotógrafo local), Carina “Unfer” (groupie local), “Von” (algo-que-não-sei-o-quê local, integrou a primeira formação da banda). Veja, duma homenagem a um famoso intelectual da cidade, foi isso que sobrou.

Na sua trajetória, a falta dum registro de qualidade talvez fosse respaldada pelos shows. Em determinado senso, a Viana Moog tem a melhor performance que alguém pode esperar, onde se torna quase inevitável não achá-lo ótimo, ou mesmo, péssimo. Porque pode acontecer de tudo nele. Já vi o antigo guitarrista apanhar ao trombar com o instrumento em meio às pessoas; já tocaram pra gurizada da APAE na São Leopoldo Fest (festejo anual de cultura germânica); foram alvejados por tijolos no Fórum Social Mundial ao gritarem “Morte aos Hippies” no microfone. Esses são só os da lembrança. Na maioria das vezes não dá pra lembrar nada que acontece. Principalmente o Cidade, que é o corpo e a alma da coisa, um frontman de fato, como pouco se acha por aí. Alguém que já estava lá antes da coisa acontecer e que permanece lá depois de ter acabado, mas que se caísse fora, ruiria tudo de vez. Uma frase como “tudo que eu quero é acordar de ressaca com você”, da boca do Cidade, soa de uma autenticidade ímpar.
Mesmo que esse Cd seja um registro aparentemente fora do tempo, sua audição aos iniciantes é mais que válida. Ele não é perfeito na medida em que a Viana Moog tem a imperfeição como sua marca. Não como defeito, mas característica, ou mesmo vocação, ao descontrole e ao desajuste. Soa quase um obituário, mas enquanto em São Léo existir o Mack Bar e lá Cidade tomar sua dose de conhaque ruim, segue o baile.
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REVIEWS
Kings of Leon – Only by the Night
De um quase cover de Lynyrd Skynyrd a um arquétipo indie, e do visual bicho-grilo para o metrosexual afetado, as coisas mudaram um bocado desde a estréia da banda. Nesse quarto álbum, eles seguem a linha do anterior, canções com guitarras saturadas, melodia e barulho duelando, hits de rádio certeiros como “Sex on Fire” e “Use Somebody”. Caleb Followill, que parece cantar com um tufo de feno na boca, lembra cada vez mais um ator de pornô-drama. O disco é bom e tem momentos surpreendentes, como “Closer”, mas em geral são repetições menos talentosas do que fizeram em Because of the Times. Tempo demais no cabeleireiro, suponho.

Peter, Bjorn & John – Seaside Rock
O que você faria se a sorte batesse a sua porta, e tua música virasse o hit do ano? A resposta do trio sueco foi simplesmente virar as costas. Após o estrondoso sucesso de “Young Folks” o que eles mostram aqui é um álbum todo instrumental, incidental, como se fosse trilha sonora de algo imaginário. Não à toa, “Inland Empire” [nenhuma relação com o filme de David Lynch] lembra abertura de seriado dos anos 70, e os assobios retornam numa versão excelente de “Needles & Pins”, dos Ramones. Discaço de excentricidades e/ou música de elevador que síndico algum jamais colocaria a rodar.
Oasis – Dig Out Your Soul
Nem Noel Gallagher acredita mais no Oasis. Disse ele, ipsis literis, que “o verdadeiro Oasis existiu apenas até o terceiro álbum”. É o seu reconhecimento, até digno, de que as músicas geniais que ele era capaz de compor se esgotaram. E dum centralizador de idéias, aqui vemos uma banda multiplural -- seu irmão Liam compôs três faixas, o baixista Andy Bell e o guitarrista Gem Archer uma cada -- e nem por isso melhor. Dig Our Your Soul é um mais-do-mesmo abissal, onde ironicamente a melhor música (“Falling Down”) é cantada pelo próprio Noel. Mas, se nem ele acredita mais no Oasis, porque nós deveríamos?

postado por: mim 3:02 PM



Domingo, Outubro 19, 2008

VOCÊ É UMA FRAUDE

O Brasil foi campeão Mundial de Futsal, pela sexta vez. Chegou a tantos títulos graças a caras como Ortiz, Vander, Manoel Tobias, Fininho. Não a caras como o Falcão.

Falcão é o Robinho do Futsal. Um cara incensado pela mídia, pela Globo, pelas suas incríveis jogadas, seus dribles desconcertantes, seus gols magníficos. Claro, tudo realizado geralmente em partidas já decididas e(ou) sobre jogadores medianos. Em momentos de sangue frio, de decisão, ele nunca está lá. Como não esteve presente em boa parte da final. Saiu de fininho, "lesão".

Foi por caras como o Falcão que o Brasil passou dois mundias tomando fumo da Espanha (não botemos só na conta dele: Schumacher e Lenísio também fazem parte dessa geração fracasso). Não por um cara como o Falcão que o Brasil foi campeão Mundial hoje. E antes da Copa, ele declarou não serviria mais a seleção se perdessem pela terceira vez. Eu não sentiria falta, e confesso, confesso sem vergonha que torci muito pela Espanha, vibrei mesmo. Pena.

Porque caras como o Falcão representam o que há de pior no país. Representa o pão e circo, a maquiagem sobre o óbvio ululante que, infelizmente, o povão não consegue assimilar. Ou mesmo o desavisado, o não-entendido, que vê de relance o noticíario dum 21x 0 sobre as Ilhas Salomão e acha essa seleção de losers uma maravilha. E essa fraude que é o Falcão, um craque.

Craque, meu caro. Não é só fazer micagem com a bola. Pode fazer isso, sim, somos brasileiros (mais ainda, eu sou COLORADO), mas tem ter disputa, garra, humor e coragem pra chamar a responsabilidade pra si na hora que a coisa aperta. Não, isso Falcão não faz. Falcão aparece apenas nas entrevistas depois de goleadas dizendo "eu isso, eu aquilo". Raramente usa "nós".

Craque, meu querido, é o cara no qual tu tiraste o apelido. Falcão, o Rei de Roma, o Bola-Bola, o Cinco Eterno, que apesar de ter jogado uma Copa por uma geração igualmente loser, foi um dos poucos com a gelialidade de jogador e fibra moral de craque daquele time. Falcão, o do futsal, não amarra as chuteiras ou lambe a sola do sapato do que jogava o Falcão do Inter, o gênio.

Eu sei que, no fim, vocês (ou "tu" como gosta de salientar) ganharam. A Globo transmitiu, vai propagar um pouco mais a tua mentira. A FIFA lhe considerou o melhor do torneio. Sei disso. Mas a tua cara de CONSTRANGIMENTO na comemoração não vai sair da minha lembrança.

Você, Falcão, é uma TREMENDA FRAUDE. Shame on you, otário.

postado por: mim 12:48 PM



Domingo, Outubro 12, 2008

DOMINAÇÃO MUNDIAL E ETC. OU -- LAMBENDO A PRÓPRIA BOLA

INSIGHT 1
Ali durante as férias, no Recife, eu tinha algumas conexões, pessoas pra conhecer e que conheci. Num dos dias aproveitei pra ver o que rolava através do Couchsurfing, e como tava rolando vários meeting's, deixei meu fone por e-mail com o "owner" do grupo. Pois bem. Horas depois, o cara me ligou, disse quem era e tascou:

- Cara, só por curiosade. Tu é o L.V.* do Gordurama?

Total credibilidade nas ruas do mangue.


INSIGHT 2
Ali no Last.Fm na página da música "O Telefone Tocou Novamente", no espaço destinado a "descrição da música", um mano qualquer escreveu:

"Como diria L.V.*, do Gordurama (rip): 'Canção escrita com a genuína COCEIRA NA ALMA'. "

Eu nunca disse isso, mas interessante como as pessoas não esquecem do site.


INSIGHT 3
Ali num blog do CLICRBS, o Volume, o fulaninho coloca o Gordurama nos seus "Mais Links".

Deve nos ler todo dia. Sic.


*O google é, na verdade, uma ratoeira. Não sejamos o queijo, ahn?

postado por: mim 9:34 PM



Terça-feira, Outubro 07, 2008

ATO FALHO

I feel disconnected like I don't know where I am
Things will be OK they say, but they don't understand
The wait of every word that must mean everything
Don't mean anything, put me down again
I think and think ‘til I feel fried and hope it goes away
They don't listen unless it's special secrets first to say
No one knows, no one cares and no one knows the way
Unless of course you fall in love and everything is gray
Everything is gray
I want something, something very true
Something worth my while, something special to do
Every word, people push for love
People push and shove, people far above
You are my dream love
Peoples' narrow stories killing love

Googleie, e entenderás.

postado por: mim 12:57 AM



Sábado, Outubro 04, 2008

VOID #42 [Outubro]

Segue aí: coluna, matéria para seção Ruídos e reviews.

ONDE CANTA O SABIÁ
Nesses últimos tempos pensei bastante sobre civismo. Não sei se foi nosso fracasso nas Olimpíadas (e sucesso nas Paraolimpíadas!), setembro e sua ode à Independência, as tediosas eleições. Eventos consecutivos que jogam na sua cara hipotético dever à pátria. Pensei bastante sobre quem é o brasileiro. O que é ser brasileiro? Não consegui achar respostas mais originais do que o povo “do jeitinho”. Falcatrua, picareta, galhofeiro. Diogomainardismos à parte, é a pura verdade. É o que somos, e a primeira pessoa do plural, nós, cabe muito bem aqui. Todos nós já usufruímos da prática, de algum modo. Então, passei a (me) questionar outras coisas. Porque o brasileiro é assim? Talvez seja reflexo da grande corrupção na esfera pública estimulando o processo de ação e reação. Como uma reação em cadeia, alguém vê outro alguém se dando bem de modo “alternativo” e também resolve fazer tudo no seu próprio modo “alternativo”. Mas, e a esfera pública, não seria na real o exato reflexo duma sociedade pré-disposta a fraudes? Isso tudo parece mais complexo que descobrir se quem veio antes foi o ovo ou a galinha – e claro, bem mais indecifrável que uma analogia barata com a 3° Lei de Newton. Explicável fosse, diria o porquê de numa boate com trinta contos de consumação alguém se prestar a gastar dezessete na comanda alheia que foi perdida, diria o porquê de pessoas em carro importado recolherem cones no meio da rua. Não sei que tipos de fetiches têm os ricos, então classifico isso apenas como o manifesto da sua brasileirice. Que, obviamente, não é exclusiva de classes sociais. Pobres na maracutaia tem aos montes por aqui, embora pro sociólogo-esquerdista-médio seja reprovável fazer este tipo de crítica. Ainda mais vindo dum suposto pequeno-burguês (quem, eu?) conhecedor nato do jeitinho brazuca. E bom, como autêntico brasilis oriundis que sou, que sabe exatamente o que somos (falcatruas!), e não o porquê de sermos, outra dúvida. Afinal, furar uma enorme fila e roubar dez milhões de dólares é a mesma coisa? Ok, como resultado prático, são coisas radicalmente diferentes. Mas quanto à ética e moral? Furar a fila não seria o passo inicial até se roubar o primeiro dolarzinho, igual o “começa no cigarro, vai pra maconha e depois tá na cocaína” como diria minha vovó? Ou deve-se encarar esse jeitinho apenas como autodefesa, o tal darwinismo social, onde sobrevive apenas quem é o mais forte? Muitas perguntas pro mesmo texto, certo? Desculpem, minha cabeça ficou assim depois da surra pra Argentina lá em Pequim, o feriado de Sete de Setembro ter caído justo no domingo e a chance do prefeito-fantasma (*) se re-eleger. Caso alguém tenha alguma resposta, não se furte em entrar em contato, porque por hora, ficarei aqui pensando um pouco mais sobre civismo. Como por exemplo, a quem vender os ingressos já esgotados do show da Madonna? É algo bem patriota, não? Ainda que seja do jeito brasileiro, ou seja, bem mais caro do que paguei.

* expressão cortesia de www.novacorja.org. Visite e boa sorte.


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[Seção Ruídos]
Eles estão de volta. Após virar a banda mais antipática do planeta, o Metallica retorna com seu nono disco de inéditas, Death Magnetic, tentando reaver a velha forma, a empatia dos fãs, e ironicamente, criando novas maneiras na distribuição de sua música. O que eles fizeram para conseguir isso, e o resultado final, você vai descobrir agora.

Essa parte da história começa pelos idos de 2000, e o início da troca gratuita de arquivos de música pela internet. Todo mundo curtiu a idéia de fazer download do seu artista favorito, todo mundo menos o Metallica. Através da justiça, a banda exigiu e conseguiu a extinção do saudoso Napster, site que foi o pioneiro no sistema peer-to-peer (hoje ele existe no formato de download’s pagos, como o iTunes, algo sem o menor sentido). Nessa economia de alguns milhões de dólares, o grupo só não lembrou de um detalhe. Alimentaram a fúria nerd, e o do tipo mais tarja preta: nerds metaleiros.

Na época, já acusada pelos fãs mais xiitas de se vender ao sistema e fazer músicas mais “comerciais”, as coisas só pioraram pra banda depois de toda essa pendenga judicial. Coincidência, talvez não, o Metallica entrou num processo de degradação. As gravações do álbum St.Anger (03), foram um caos. A banda quase chegou ao fim, com discórdia entre os integrantes, brigas, alcoolismo, tratamento com psicólogos, tudo documentado em Some Kind Of Monster, DVD lançado anos depois. Ele fez incrível sucesso ao mostrar o lado podre dos caras, ao contrário do rotundo fracasso do álbum. O terrível St.Anger, mal gravado, mal executado, mal tudo, foi motivo de chacota. Da crítica e fãs.

E para dar a volta por cima, o Metallica pensou na sua música em primeiríssimo lugar. Anunciou Rick Rubin como produtor responsável pelo novo disco. Frisson instaurado, Rubin é o cara mais procurado no mercado atual. De fama nos anos 80, por ter aliado rock com hip-hop, em gravações do Slayer com Beastie Boys ou na produção de “Walk This Way”, unindo Run DMC e Aerosmith, ele vem produzindo artistas que vão de Red Hot Chilli Peppers, U2, Green Day até o astro pop Justin Timberlake. Algo sem precedentes, aquilo tocado Rick Rubin vira sucesso. Não erraria justo com o Metallica.

As coisas começaram a dar certo pra Death Magnetic, a partir daí. As gravações rolaram no estúdio da própria banda, na Bay Area, e canções novas foram executadas em shows, numa espécie de audiência-teste. Nascia ali forte expectativa, a volta do Metallica aos velhos tempos, canções longas, pesadas e de riffs marcantes. Com a troca de gravadora – da poderosa Elektra pra mais poderosa ainda Warner --, houve suposto atraso no lançamento, negado pela banda. “Não há como atrasar o que nunca teve data oficial”, disseram a imprensa.

Aí foi só começar a estratégia de marketing para o lançamento. E nisso, a banda tratou de agradar, ou digamos assim, “fazer as pazes”, com os até então mal-tratados nerds. Com um site oficial intitulado Mission: Metallica (no http://www.missionmetallica.com/), a disponibilizaram imagens das gravações, fotos, e três músicas em streaming e o videoclipe oficial do primeiro single, “The Day That Never Comes”. Além disso, box especiais do álbum também foram lançados, contendo além do disco, acesso a downloads exclusivos (vejam vocês, downloads!), vinis em embalagens especiais, e muito mais. Seria difícil imaginar, mas esse é o Metallica na era da modernidade. A primeira banda na história a lançar um álbum nos formatos CD, vinil, e...vídeo-game.

Porque não basta agradar um nerd comum, o Metallica optou fazer isso com o tipo ainda mais tarja preta que os metaleiros: nerds de vídeo-game. Antes mesmo do álbum, o primeiro single teve foi lançado exclusivo pros usuários do jogo Rock Band, a MTV Games. Mais tarde, a banda assinou contrato que permitiu a utilização de todas faixas de Death Magnetic para o jogo Guitar Hero III: The Legends of Rock. Hoje, elas também estão disponíveis na íntegra no novo Guitar Hero World Tour. É só pegar no console.

Como complemento a esse ritual de ressurreição, o álbum marca a re-utilização do antigo logotipo da banda na capa (clássico e adorado pelos fãs), e não usado desde 93. Todos os passos foram muito bem dados. A escolha dum excelente produtor, tempo de sobra para as gravações, estratégias de promoção avançadas e sem antigas rixas, tudo confluiu pro enorme sucesso – em fase inicial – de Death Magnetic. Como se esperava, ele chegou ao N° 1 na parada de álbuns mais vendidos nos EUA e na Inglaterra. E aquilo que vem dentro, as músicas, não desaponta. E para você não perder nada, Void te apresenta agora um faixa-a-faixa após a audição do disco baixado diretamente da internet. Baixe você também, a banda tá boazinha agora.

1. That Was Just Your Life: espécie de cartão de visitas, “bem-vindo, você está ouvindo um álbum do Metallica”. Um clichè thrash-metal, de riff marcado, bridge hard-core, refrão quebrado e a volta dos solos com a marca registrada da banda. Nada mal.

2. The End of the Line: bem parecida com o Reload, até pensei que ouvia “Fuel” de novo. Única descartável do álbum.

3. Broken, Beat & Scarred: o melhor riff do disco aponta o caminho a ser seguido, num revival da melhor fase da banda, nos 80. É onde as coisas melhoram e não param mais.

4. The Day That Never Comes: single do disco, a equiparação é imediata a hinos como “Fade to Black”, de começo lento, em balada, e com progressivo aumento de peso. Depois uma batida feroz e riff destruidor servem de cama pras palhetadas de guitarra que vem a seguir, idênticas as ouvidas em “One”. E como não se ouvia desde então, ela termina com três minutos de arroubo instrumental, Kirk Hammet solando à perfeição.

5. All Nightmare Long: o marrento baterista Lars Ulrich dá aula de como tocar o instrumento, na canção mais rápida, quebrada e ao mesmo tempo pesada do álbum. E, sem medo de ousar, a banda usa indiscriminados efeitos flanger nos solos de guitarra. Esqueça o subjetivo, “All Nightmare Long” é a melhor música do Metallica em anos.

6. Cyanide: [não lembro que escrevi aqui. parte do texto noutro arquivo. mas essa música é foda pra caralho também. uma das três melhores]

7. The Unforgiven III: a terceira parte dum clássico do Metallica, aqui ela vai de notas ao piano, passa por arranjos de cordas grandiosos, e culmina num hard-rock pesadíssimo com James Hetfield vociferando um pedindo de desculpas. Sensacional.

8. The Judas Kiss: é como se tivéssemos voltado aos anos 80 da banda, em especial da metade pro fim, onde ela desperta com tudo certa nostalgia. Ou seja, ótimo outra vez.

9. Suicide & Redemption: primeira faixa instrumental desde 88. Duelo de guitarras, bateria pulsando vários ritmos, baixo progressivo, tudo que fez do Metallica grande está aqui. “Suicídio e redenção”, com um nome desses nem precisava explica com letras.

10. My Apocalipse: a menor do disco, em cinco minutos a banda resumiu sua carreira, se não na melhor música, na mais headbanger de todas. Satisfação e mosh garantidos.
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Reviews
Death Cab For Cutie – Narrow Stairs
Esse é o maior exemplo de que é possível, sim, fazer canções radiofônicas, fáceis de ouvir e cantar sem transformar isso em pastiche de novela global. Dentro duma grande gravadora, o DCFC se mostra capaz de arrebanhar o chamado “novo executivo”, que consome música apenas através dos mais vendidos de megastore, e permanecer intacto a seus fãs antigos. Entre canções de pop-perfeito, em “Cath...” ou “Long Division” e satisfatórias doses de melancolia, em “Talking Bird”, Narrow Stairs cumpre bem mais do que promete. As histórias são abrangentes, onde você pode (e deve) virar a personagem.
Marcelo Camelo – Sou (Nós)
Numa banda de rock, o contraste de suas letras com óbvia influência da MPB dava um ar melancólico, rebuscado -- e porque não, cool -- acima da média pra grupos do tipo. Mas, como compositor exclusivo de MPB, o resultado é modorrento, aquele contraste se transforma num tremendo tédio, ancorado em voz-violão, percussão arrastada, com arranjos sonolentos e cheio de maneirismos emepebistas – para afirmar e re-afirmar sua “nova” condição. A insipidez de Sou é tanta, que até parece uma conspiração de Camelo para que as pessoas sintam saudade do Los Hermanos. Algo que pode ser resumido em o que era ruim pode ficar pior.

postado por: mim 12:43 AM




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